A sociedade passa por renovações em diversas estruturas que a compõem, em uma velocidade cada vez mais rápida. É impossível não associar as maneiras como encaramos o trabalho, as relações humanas e a educação nos dias de hoje à inserção da tecnologia em nossas vidas.

Com tantas mudanças e novos recursos disponíveis, as escolas perceberam de perto a alteração no perfil dos estudantes, nas habilidades que devem ser trabalhadas e no tipo de metodologia que mais se encaixa com os alunos. Por isso, o Ministério da Educação lançou o projeto chamado Novo Ensino Médio nas instituições de ensino. No texto a seguir, vamos te contar tudo sobre ele. Confira!

O que é o Novo Ensino Médio?

O projeto de readequação do ensino médio em todo país é uma discussão antiga que só foi aprovada em 2017 pelo Ministério da Educação. No ano seguinte foram traçadas as diretrizes da Reforma do Ensino Médio, que resultou no Novo Ensino Médio. 

No documento ficam explicadas as mudanças que deveriam ser implantadas em até cinco anos, mas que devido à pandemia da Covid-19, sofreu atraso no planejamento. Entre as modificações mais relevantes, estão o aumento da carga horária curricular, o aprofundamento em áreas do conhecimento que mais agradam o estudante e alterações na prova do Enem.

Escolha de disciplinas

A principal alteração do Novo Ensino Médio em relação ao que já existe há anos é a diversificação do currículo escolar do aluno. Isso quer dizer que os estudantes poderão escolher, entre as áreas do conhecimento (linguagem e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, e ciências humanas e suas tecnologias), em qual delas preferem se aprofundar.

É preciso esclarecer, no entanto, que esse poder de escolha não significa que o estudante não vai estudar as disciplinas de que menos gosta. O aprendizado de todas as matérias contidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) continuará sendo respeitado. Portanto, o estudante terá a liberdade de escolher as disciplinas que deseja aprender mais a fundo.

Essa diversificação do currículo é chamada de Itinerário Formativo, e tem como objetivo maior propor um aprendizado mais exclusivo e atraente para o jovem. Ele pode, por exemplo, escolher uma área do conhecimento que seja mais importante para a profissão que ele deseja seguir. Dessa forma, ao chegar no ensino superior, sua base será mais forte, e o nível da sua graduação, naturalmente, será mais alto.

Carga horária

Outro fator que merece a atenção dos donos de escolas e pedagogos é o da carga horária obrigatória aos estudantes. A proposta é que as instituições ofereçam ensino médio integral.

Incluindo os Itinerários Formativos ao dia a dia dos estudantes, o objetivo é que até 2022 as escolas estejam adequadas para oferecer 1000 horas/aula por ano ao invés das 800 horas/aula que estão em vigor no ensino médio tradicional. Após o período de adaptação, esse número de horas deverá sofrer outro aumento, podendo chegar a 1400 horas/aula ao ano.

Mudança no Enem

Com tantas mudanças significativas no ensino médio, é natural que o Enem também mude, afinal é o exame mais importante do país e mede o nível da educação oferecida aos jovens nos últimos anos escolares.

A discussão feita nesse sentido envolve a maneira como os conteúdos aprendidos, seguindo a BNCC e o Itinerário Formativo, serão cobrados dos estudantes. Portanto, a proposta é de que no primeiro dia de aplicação, as questões sejam referentes aos conhecimentos gerais das disciplinas da BNCC, e o segundo dia seja de conhecimento específico, baseado nas matérias em que o estudante se aprofundou. Essas informações, porém, ainda não foram confirmadas pelo Inep, órgão responsável pelo Enem.

Atividades práticas

As mudanças propostas para o currículo dos estudantes e a carga horária permitem que as escolas abordem os temas de cada matéria de forma prática, colocando os alunos diante de situações que estimulam o raciocínio, o pensamento crítico e outras habilidades importantes na atualidade. 

Esse equilíbrio entre a teoria e a aplicação do conhecimento é o caminho para adaptar o aprendizado ao modo como os jovens encaram a vida e as questões do dia a dia. Abrir esse espaço para que eles façam parte do conteúdo é uma forma de motivá-los e de aproximá-los da escola.

Conclusão

Colocar essa mudança em prática leva tempo e exige uma série de compromissos da escola com as secretarias de ensino dos municípios. Portanto, coloque na agenda da sua instituição o estudo de alterações na elaboração dos currículos escolares, da adequação do Projeto-Político-Pedagógico e da capacitação dos profissionais que vão atuar como diretores, coordenadores e professores nesse Novo Ensino Médio.

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