A reprovação é um tema que gera debates; e autores, como o pesquisador Sérgio Costa Ribeiro, citam o termo “pedagogia da repetência” ao falar sobre o problema. Porém, diante do modelo educacional “e à própria noção do ano-calendário como tempo limite para a verificação das aprendizagens e definição de resultados, como aprovação e reprovação”, como contextualiza a pesquisadora Natália Gil em artigo na Revista Brasileira de Educação, a oportunidade de cursar novamente um ano escolar se coloca como uma alternativa ao aprendizado aquém dos parâmetros estabelecidos. 

Como afirma a pesquisadora e doutora em educação Diana Mandelert, “a reprovação escolar repercute no cotidiano das famílias mesmo antes de acontecer de fato. É um evento que deixa uma marca muito difícil de apagar, tanto para a família quanto para o aluno.” É possível perceber que a reprovação se faz uma medida por vezes necessária, mas com um forte impacto nos estudantes. Cabe à comunidade escolar buscar soluções para evitar o problema - ações que também passam pelo trabalho da própria instituição de ensino. 

O papel da escola

De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, documento emitido pelo MEC, a orientação é: “Os projetos político-pedagógicos das escolas e os regimentos escolares deverão, pois, obrigatoriamente, disciplinar os tempos e espaços de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, e prever a possibilidade de aceleração de estudos para os alunos com atraso escolar.” 

As ideias para evitar a reprovação podem passar pelo aperfeiçoamento contínuo dos próprios métodos de ensino da escola, visando a acompanhar o aluno durante o seu aprendizado. Como definem as diretrizes mencionadas, “a melhoria dos resultados de aprendizagem obriga, também, as escolas a uma apreciação mais ampla das oportunidades educativas por elas oferecidas aos alunos, reforçando a sua responsabilidade de propiciar oportunidades e incentivos renovados aos que deles necessitem”.

Nesse sentido, é possível pensar em medidas como:

Reuniões com os pais 

Em primeiro lugar, é fundamental explicar com clareza o projeto pedagógico e os métodos de avaliação aos responsáveis logo na primeira reunião do ano. Ao notar o baixo desempenho do aluno e estimar uma possível reprovação, caso não haja melhora, é possível envolver os pais para investigar a situação. Procure saber se o estudante está enfrentando problemas e dificuldades em sua vida pessoal. Defina o que pode ser feito dentro de casa para corrigir as notas baixas e elevar os resultados. Como afirma a mestra em educação Diana Mandelert, “as famílias conseguem, por meio de estratégias variadas, corrigir os efeitos possivelmente perversos do fracasso escolar”.

Aulas de reforço e plantão de dúvidas 

A escola pode definir no planejamento pedagógico um sistema de plantão de dúvidas. A iniciativa visa a oferecer horários nos espaços da instituição para que os alunos tenham contato mais próximo com os professores para a resolução de exercícios ou uma nova explicação sobre determinado assunto. 

Além disso, a direção também pode pensar em aulas de reforço sobre temas escolhidos pelos docentes. A intenção é selecionar horários livres para oferecer novas chances para as turmas retomarem determinadas matérias. O objetivo é que os plantões e os reforços não sejam apenas ações pontuais, mas sim façam parte do planejamento para o ano todo. 

Estratégias de avaliação 

O número de reprovações além do aceitável pela direção pode motivar a escola a repensar o planejamento político-pedagógico e propor novas formas de avaliação. É possível determinar a aplicação de mais provas ao longo do semestre ou a ampliação das opções para a composição das médias, como trabalhos em grupos ou individuais. O guia para encontrar a melhor metodologia é definido pelo trabalho de pesquisa e elaboração de projetos realizados pelas áreas de direção, pedagógica e docente. 

Capacitação dos professores 

A busca pela redução das reprovações na escola também passa por avaliações do desempenho dos professores. Após a aplicação dos sistemas de análise dos docentes, é possível estabelecer métodos para melhorar os formatos da apresentação de conteúdo em sala de aula, o que envolve a capacitação dos educadores e a disposição de materiais e tecnologias, por exemplo.

Portanto, os esforços para reduzir os índices de reprovação nas várias séries do ensino fundamental e médio devem ser de toda a comunidade escolar. Pais, professores e coordenadores precisam unir as forças para ajudar o aluno a voltar para o curso de aprendizado correspondente ao ano letivo em que se encontra. O processo pode ser complicado e exigir análises e avaliações da instituição de ensino. Com o tempo é possível moldar o planejamento e continuar a oferecer um ensino de qualidade aos estudantes. 

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