Dificuldade para se concentrar ou se organizar, agitação, lições incompletas e interrupções constantes. Será que esses são apenas traços de uma criança que, ainda em fase de crescimento, desconhece seus limites, ou seriam os sinais de um possível distúrbio relacionado à atenção? Apesar de suas inúmeras formas, o déficit de atenção manifesta-se ainda na infância e pode comprometer o desempenho escolar do aluno, além de suas vivências sociais. Aqui explicamos o que é esse distúrbio e quais atitudes em sala de aula podem ajudar os alunos diagnosticados com déficit de atenção. Confira.

Aproveitamos para lembrá-los

O diagnóstico de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) deve ser feito com o acompanhamento de um profissional de saúde responsável e preparado, capaz de orientar tanto o aluno quanto sua família sobre as melhores maneiras de lidar com o distúrbio e seus sintomas.

O que é o déficit de atenção?

O transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), também conhecido como distúrbio de déficit de atenção (DDA), é um distúrbio neurobiológico de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Seus principais sinais são falta de atenção, inquietude e impulsividade. Estima-se que a condição acometa entre 3% e 5% das crianças em idade escolar, mas ela também pode ser diagnosticada em adolescentes e adultos.

Apesar dos inúmeros pré-julgamentos sobre a condição, o TDAH não está relacionado com uma dificuldade para o aprendizado, já que não é uma condição cognitiva. Há, porém, uma dificuldade para manter o foco e a atenção durante um determinado período de tempo. A longo prazo, os sintomas do distúrbio podem influenciar a convivência social e o desenvolvimento pessoal.

Diagnóstico

O déficit de atenção é considerado um distúrbio de difícil diagnóstico. Além da necessária atenção para não confundi-lo com a agitação natural das crianças, também é preciso diferenciá-lo dos traços sintomáticos comuns a outros distúrbios psicológicos.

A Academia Americana de Pediatria atualizou, em 2011, sua diretriz sobre TDAH, incluindo diagnóstico e cuidados primários. Segundo o órgão, o tratamento de crianças em idade pré-escolar (entre 4 e 5 anos) é recomendável, porém qualquer indivíduo entre 4 e 18 anos de idade, que apresentar problemas acadêmicos ou comportamentais, além dos sintomas de desatenção, hiperatividade ou impulsividade, deve ser aconselhado a buscar por orientações e diagnóstico médico.

Ainda, os sintomas devem prevalecer em mais de um ambiente que a criança frequenta, ou seja, os sinais devem ser perceptíveis em casa, na escola, nos cursos extracurriculares e em outros momentos diversos, por exemplo.

O TDAH pode ser classificado em três tipos diferentes: 1) TDAH com predomínio de sintomas de desatenção; 2) TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade; 3) TDAH combinada.

Sintomas

Apesar dos três tipos de déficit de atenção, o diagnóstico clínico é relacionado à presença de pelo menos seis dos nove sintomas listados pela DSM.IV, manual de referência quanto à classificação de doenças mentais. Vale frisar também que os sintomas devem estar presentes por, no mínimo, seis meses. Já para adolescentes menores de 17 anos, o diagnóstico pode ser feito caso sejam apresentados apenas cinco dos sintomas. Abaixo, confira a lista de sintomas atrelados a cada um dos tipos de TDAH:

TDAH com predomínio de sintomas de desatenção

  • Não dar atenção aos detalhes;
  • Dificuldade para manter o foco;
  • Manter-se desatento ou ausente;
  • Falha para concluir tarefas;
  • Desorganização;
  • Relutância em lidar com tarefas que exigem esforço mental;
  • Facilidade para perder objetos;
  • Distração com estímulos alheios;
  • Facilidade para esquecer compromissos.

TDAH com predomínio de sintomas de hiperatividade

  • Mãos e pés com movimentos agitados;
  • Dificuldade para manter-se sentado;
  • Correr ou escalar objetos em momentos e espaços inapropriados;
  • Dificuldade para manter-se em silêncio;
  • Falar muito;
  • Dificuldade para comunicar-se com calma;
  • Interromper as frases dos outros;
  • Tendência a interromper as atividades que os outros estão fazendo;
  • Dificuldade para esperar a sua vez.

TDAH combinada

Apresenta, simultaneamente, todas as características descritas acima. Portanto, a criança pode ser extremamente desatenta, porém muito hiperativa-impulsiva, reunindo características de distração, lentificação, esquecimentos e desorganização, enquanto também é agitada, impulsiva, compulsiva e intensa.

Tratamento

Durante o tratamento para déficit de atenção, o paciente deverá passar por psicoterapia e, em alguns casos, poderá ser medicado, inicialmente com substâncias psicoestimulantes, como o metilfenidato, conhecido como Ritalina, ou a lisdexanfetamina. Caso o paciente não responda ao tratamento, parte-se para uma uma segunda escolha de psicoestimulantes, e, se ainda assim o paciente não responder, podem ser prescritos antidepressivos. O tratamento em crianças exige cuidado multimodal, combinando medicamentos, apoio terapêutico, orientação a pais e professores e, se necessário, reforço escolar.

O aluno com TDAH

Os professores costumam passar grande parte do dia ao lado das crianças e, ao propor uma série de novas atividades e dinâmicas, podem ser os primeiros a perceber alguns dos sintomas relacionados ao déficit de atenção. Por isso, além de proporcionar o ambiente ideal para que o aluno desenvolva suas habilidades de maneira saudável, é seu papel notificar os pais e sugerir o acompanhamento de um profissional de saúde responsável, capaz de ministrar os exames necessários para identificar - ou não - o TDAH.

No entanto, é necessário manter a atenção e avaliar se as preocupações não são infundadas, afinal, se a criança está inquieta ou se apresenta queda no desempenho escolar, também pode ser devido a uma série de outros fatores, como os relacionados ao ambiente ou às suas relações pessoais. Por isso, é importante que o professor e os demais profissionais da escola solicitem encaminhamento, para que profissionais da área da saúde (psicólogos, pediatras, clínicos gerais, neurologistas, psiquiatras etc.) façam o diagnóstico clínico.

Caso o distúrbio seja diagnosticado, é imprescindível que escola, família e corpo médico preocupem-se em encontrar soluções para que a criança siga caminhando e crescendo no âmbito escolar. No caso do professor, é importante questionar qual é a maior dificuldade desse aluno, quais são os fatores que mais atrapalham e quais auxiliam o seu processo de aprendizagem. Assim, o educador não apenas se tornará capaz de criar atividades e dinâmicas para apoiar o aluno, mas também poderá integrá-lo com os colegas de sala e tornar o aprendizado participativo.

Confira algumas dicas interessantes para incentivar a vivência escolar e construir uma rede de apoio positivo para o aluno com TDAH.

Torne o conteúdo interessante e dinâmico

Uma sugestão, que se estende também para os demais alunos, é pautar as atividades em sala em diferentes técnicas e metodologias, que atinjam diferentes perfis de aprendizagem. Alguns alunos aprendem mais ouvindo, enquanto outros preferem atividades manuais ou apresentações orais. Explore diferentes plataformas e traga dinamismo para as tarefas sempre que possível, mantendo todos interessados e curiosos.

Outra dica que pode reforçar o processo de aprendizagem e torná-lo efetivo também para os alunos mais inquietos é, antes de uma atividade, pedir que uma ou duas crianças escolhidas repitam as instruções dadas anteriormente. Além da maior interação com a classe, os alunos ainda mantêm a atenção naquilo que está sendo instruído.

É importante lembrar também que, no caso de um diagnóstico de TDAH, deve-se respeitar o tempo necessário para que o aluno realize a atividade ou complete a prova, por exemplo. Logo, pode ser interessante liberar um tempinho a mais para que ele conclua os deveres de maneira autônoma e sinta-se ainda mais encorajado em sala de aula.

Valorize as pequenas conquistas

Normalmente, os alunos diagnosticados com TDAH apresentam fortes traços de frustração quando se trata das atividades escolares. Por isso, o papel do professor, como alguém que incentiva seu bem-estar na sala de aula, é essencial. Pequenos elogios e incentivos são uma atitude simples, porém capaz de trazer uma série de benefícios para o processo de aprendizagem.

Vale ressaltar que o elogio pode ser verbalizado ou simbólico, como por meio de um adesivo colado ao lado da tarefa concluída. Recompensar o progresso pode ser ainda mais gratificante para o pequeno.

Trabalhe as normas e limites pessoais

Uma proposta interessante é pedir que a turma elabore em conjunto uma série de regras de convivência. Assim, além de dar uma mãozinha para o aluno diagnosticado com o distúrbio, os colegas também ganham mais uma referência interessante para o seu crescimento pessoal.

Invista em materiais escolares

Uma abordagem interessante para auxiliar e maximizar o potencial de desenvolvimento de um aluno com TDAH é inserir instrumentos de organização em sua rotina. Uma opção simples e eficiente é o uso da agenda escolar, na qual a criança pode anotar suas tarefas, mantendo o controle sobre as atividades e os estudos necessários. Ainda, vale incentivar os alunos a organizar um quadro no qual podem ser fixados lembretes, calendários e avisos importantes para serem facilmente visualizados.

Quanto à organização em sala, é extremamente benéfico investir em materiais coloridos, por exemplo. Assim, cada matéria terá um caderno de uma cor diferente e será mais fácil para o aluno manter-se organizado, acompanhando o conteúdo apresentado. Incentivar o uso de pastas ou mesmo de um fichário pode ajudar a manter as atividades e folhas soltas reunidas em um só lugar. Além disso, não se deve esquecer de supervisionar o aluno, auxiliando-o a manter a mesa, o armário e a mochila sempre em ordem.

Crie vínculos afetivos

De forma geral, ministrar aulas em um tom bem-humorado e valorizar atividades divertidas é uma maneira interessante de tornar o cotidiano escolar prazeroso. Logo, construir uma relação afetiva entre alunos e professores pode ser uma abordagem interessante. Por isso, é importante que o profissional se mostre presente e, mais do que isso, mostre-se um amigo com quem todos da sala podem contar e em que possam confiar.

Dê recomendações para casa

Por fim, mas não menos importante, o professor deve orientar os pais para que ajudem o aluno a encontrar maneiras saudáveis de estudar os conteúdos da escola também em casa. Aqui vale sugerir que a família teste diferentes métodos que podem auxiliar na memorização das informações, como assistir a filmes ou praticar o conteúdo com atividades manuais. O importante é compreender qual abordagem funciona para a criança.

É importante evitar comparações com irmãos ou amigos, bem como estabelecer um diálogo claro e direto com a criança, sempre perguntando como ela está se sentindo. Também não é ideal esperar perfeição e cobrar resultados, mas sim incentivar o empenho e a dedicação. Vale lembrar também que não é uma boa ideia sobrecarregar a criança com atividades extracurriculares - mesmo que elas sejam reforço escolar, por exemplo.

O TDAH exige muita atenção e uma estrutura favorável para que a criança possa desenvolver todas as suas habilidades sociais e emocionais de maneira saudável e segura. Nesse cenário, família e corpo médico devem unir seus esforços à escola, contribuindo para um ambiente positivo e com muito incentivo!

Se você curtiu esse texto, aproveite a visita ao nosso blog e confira também como lidar com alunos em recuperação e qual a melhor forma de avaliar os alunos.

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