O formato expositivo de aula é o principal modelo utilizado nas escolas. Nessa configuração, o professor fica na frente da sala explicando o conteúdo aos alunos. Porém, graças à presença da tecnologia, o processo educativo pode exigir que os educadores pensem em outras práticas para ganhar a atenção dos jovens e despertar o interesse pelos estudos.

Pensando em inovar, nós separamos 4 dicas de aulas “diferentonas” que vão te ajudar a movimentar a rotina dos estudantes e engajá-los no aprendizado. Confira!

1 - Representações dramáticas do conteúdo

Professores de história e filosofia podem usar da representação teatral para abordar o conteúdo de uma maneira diferente e criativa. É possível trazer para a sala de aula pequenas “peças de teatro” e interpretar personagens clássicos da história, retratar o pensamento de algum filósofo ou reproduzir o estilo de vida de uma civilização antiga, por exemplo.

A construção de narrativas também pode se aplicar a outras disciplinas, retratando histórias de descobertas importantes para áreas de estudo como a física, a química ou a biologia.  

Legenda: a queda da maçã na cabeça de Isaac Newton é retratada como o episódio em que ele “descobriu a teoria da gravidade”. A cena pode ser representada em sala de aula.

É necessário planejar esse tipo de aula - que pode ser mais de uma - com uma certa antecedência, propondo-se a aprender técnicas de atuação e projeção da voz. O roteiro deve ser construído para trabalhar o conteúdo de maneira divertida e mantendo a conexão com os conceitos descritos nas apostilas. Ensaie bastante a representação dos personagens e cuide do figurino para realmente ser fiel ao fato retratado.

A atividade pode se transformar em uma grande surpresa para os estudantes, oferecendo a oportunidade de curtir uma aula bem diferente do convencional. Também pode-se pensar em maneiras de engajar a turma, convidando alunos para participar das cenas.

2 - Sala de aula invertida

Boa parte do tempo de aula é destinado à explicação do conteúdo. O conceito de “sala de aula invertida” propõe uma alternativa diferente: o aluno já chega na escola com o conteúdo previamente estudado, transformando a sala em um ambiente flexível para tirar dúvidas e aplicar o conhecimento de maneira prática.

É preciso preparar um material que trabalhe o tema proposto. Use a tecnologia a seu favor, buscando vídeos, podcasts e outros conteúdos interativos. Envie essa seleção para a turma em uma plataforma especializada - como o Moodle -, colocando um prazo para que todos acessem e estudem. Incentive que os estudantes façam anotações dos principais pontos e das dúvidas que surgirem ao longo dos estudos.

Nessa configuração de aula, o papel do professor em sala é estabelecer um debate, propondo que os alunos cheguem com questões relativas ao tema estudado em casa. O grande desafio do educador é engajar os estudantes na proposta. Para tal, é possível pensar em opções criativas. Por exemplo, após passar como tarefa um conteúdo sobre política grega na matéria de sociologia, é possível simular um cenário de argumentação semelhante à polis antiga, ajudando os alunos a vivenciar os assuntos aprendidos.

Ao tirar o professor do palanque central da explicação, a sala de aula invertida coloca os alunos como protagonistas do processo de aprendizado. A atividade contribui para desenvolver habilidades de trabalho em grupo e a própria capacidade argumentativa do estudante, já que ele precisa participar retratando suas opiniões e constatações acerca dos estudos.

No vídeo abaixo, você confere um debate do Canal Futura sobre o uso do conceito de sala de aula invertida na educação. Assista se você quiser saber um pouquinho mais sobre o tema:


3 - Produção de vídeos em sala de aula

Uma boa maneira de engajar os alunos é propor a produção de vídeos que trabalhem os temas das disciplinas. A ideia pode se relacionar com a iniciativa da sala de aula invertida, servindo para ajudar os alunos a aplicar o conhecimento adquirido com o material de estudos.

Formule um projeto com o objetivo claro de abordar conteúdos da grade curricular. Divida a sala em grupos e proponha um subtema para cada equipe. O primeiro passo da produção é a escrita do roteiro. É preciso pesquisar bastante sobre o assunto, algo que pode ser feito em sala de aula ou fazer parte de uma tarefa para casa.

A próxima aula pode se concentrar nas gravações, utilizando o próprio espaço e a estrutura da escola. Caso não haja câmeras e equipamentos de som, use os smartphones, pois eles são capazes de dar conta do serviço! O último passo é a edição. Após finalizar tudo, os alunos podem apresentar o conteúdo em classe. O professor pode utilizar o material para reforçar o aprendizado e tirar dúvidas dos alunos.

Se o planejamento não permitir que se gaste mais de uma aula para a atividade, você pode fazer tudo em um único dia! Pense em algo mais simples e executável em algumas horas.

Para se preparar para a atividade, você precisa pesquisar sobre produção audiovisual. Aprenda técnicas de roteiro, gravação e edição. O objetivo é explicar o básico para os alunos e conseguir ajudá-los quando eles precisarem.

A experiência pode ser muito enriquecedora no processo educativo e engajar os alunos no aprendizado.. Ao entregar a câmera para o estudante fazer algo de que ele gosta, é possível despertar o interesse para a atividade e facilitar o entendimento dos conteúdos.

Além disso, o exercício também ensina outros conceitos importantes para os alunos, como o trabalho em equipe, o cumprimento de prazos e a utilização da criatividade para sintetizar o conteúdo e explicá-lo aos colegas.

4 - Passeios e visitas guiadas

Propor atividades em locais fora da sala de aula é uma maneira de mexer com a rotina dos estudantes. Antes de pensar no projeto, você precisa fazer a distinção de dois conceitos:

Saída escolar: conta presença e pede a participação de todos os alunos. Precisa ter uma logística fácil e sem custos, visto que o professor não deve dificultar o acesso a uma aula que faz parte da grade curricular. Exemplos: ir a um terreno próximo da escola para estudar o solo ou visitar um museu no centro da cidade com um ônibus disponibilizado pelo colégio.

Passeios e visitas: não contam presença e a participação do aluno é opcional mediante autorização dos pais. Podem envolver custos. São exemplos de locais:

Museus e exposições de arte

Visitar museus e galerias de arte é uma opção muito viável para professores de história, filosofia ou história da arte. É possível pensar em passeios que se relacionem com o conteúdo trabalhado em sala de aula. Por exemplo, se a turma está estudando sobre arte moderna, leve os alunos a um museu com obras desse estilo.

Parques e reservas ecológicas  

Os professores de biologia podem propor visitas a parques ecológicos para trabalhar os estudos da fauna e da flora. Também há a possibilidade de integrar outras disciplinas - como geografia e atualidades - para discutir questões importantes sobre degradação ambiental e sustentabilidade.

Empresas  

Muitas indústrias oferecem visitas guiadas a estudantes, inclusive disponibilizando funcionários para mostrar os processos da empresa. É uma ótima oportunidade para os alunos visualizarem a aplicação de conteúdos de física, química e matemática, por exemplo.

Há ainda possibilidades de visitas a feiras de profissões e de tecnologia, a universidades, e a câmaras de vereadores e deputados entre outros espaços políticos da cidade.

Os passeios escolares exigem um planejamento detalhado. Cabe à escola cuidar do transporte, da segurança e da alimentação dos estudantes. Para isso, é preciso mapear toda a logística do dia e designar monitores responsáveis para tomar conta dos alunos e evitar qualquer problema. Caso haja custos, é necessário solicitar o pagamento e a autorização dos pais com antecedência.

É essencial que as saídas escolares e as visitas tenham um propósito educacional, estejam de acordo com a proposta pedagógica da escola e dialoguem com os conteúdos trabalhados em sala de aula.

Além de colocar em prática conceitos aprendidos nas aulas, a saída da escola ainda ensina outras questões importantes aos alunos, como o trabalho em equipe, já que os estudantes precisam realizar uma série de atividades juntos e cooperar entre si para que o passeio seja bom para todos.

O ideal é que as iniciativas de aulas diferentes constem em um planejamento aprovado pela coordenação da escola. É preciso que o projeto esteja de acordo com a proposta de ensino e venha a agregar conhecimentos aos alunos.

Veja outras dicas que vão te ajudar durante as suas aulas:

9 assuntos que podem ser discutidos na escola

Atividades em grupo ou individuais? Qual priorizar?

Aqui estudar é poder!

O COC se preocupa com o desenvolvimento dos alunos e o crescimento da sua unidade. Aqui estudar é poder realizar! Acompanhe as notícias em nosso blog e veja os recursos que o sistema COC de ensino pode levar para o seu colégio. Saiba mais aqui!