A imagem de capa deste artigo é a obra Bananal (1927), de Lasar Segall, um dos primeiros expoentes do modernismo no Brasil

Não é à toa que o modernismo figura entre os temas mais cobrados no Enem e nos principais vestibulares do país: esse movimento influenciou escritores, compositores, pintores, escultores e muitos outros artistas do Brasil, rompendo com o tradicionalismo estético e proporcionando um momento único de experimentação artístico-cultural no início do século XX. Pontapé inicial para a origem de uma arte genuinamente brasileira, o modernismo foi fundamental para a construção da identidade do país. Que tal relembrar os principais pontos desse movimento tão importante para a nossa história? Confira!

Contexto histórico

Assim como outros movimentos artístico-culturais, o modernismo também é um reflexo da realidade histórica e social do Brasil na época. Por isso, é muito importante compreender o contexto de sua efervescência e a maneira como tais fatos contribuíram para a origem de suas nuances artísticas. Acompanhe:

No início do século XX, o Brasil ainda dava seus primeiros passos em um regime político republicano. Nesse período, vivia-se a chamada República Velha, um momento em que as grandes oligarquias rurais do país defendiam seus interesses de acordo com a política do café com leite. Nesse modelo de governo, as decisões nacionais eram colocadas nas mãos das elites cafeeiras de São Paulo e Minas Gerais, duas forças que manipulavam decisões para se revezarem nos cargos políticos mais altos da nação.

Simultaneamente, entre os anos de 1871 e 1920, o Brasil recebeu mais de um milhão de imigrantes, vindos principalmente da Itália e do Japão. Seus destinos eram sobretudo os postos de trabalho nas lavouras de café ou nas incipientes indústrias paulistas.

Logo, a mão-de-obra brasileira torna-se, em grande parte, estrangeira. As fábricas do país também começaram a crescer devido à dificuldade de importação de novos produtos, operação que é comprometida pelos conflitos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Como reflexo, muitas cidades começam a vivenciar a marginalização de parte da sua população, em especial dos ex-escravos.  

A situação econômica delicada contribui também para o surgimento de uma série de revoltas de cunho político. A difusão dos ideais anarquistas, somados ao furor ocasionado pela Revolução Russa (1917), dão margem para o fortalecimento da Primeira Greve Geral, em julho de 1917, na cidade de São Paulo. Pouco depois, no ano de 1922, o Tenentismo ganha força e as patentes baixas e médias do Exército Brasileiro começam a declarar suas insatisfações com a política nacional.

Em 1930, o Brasil é palco da chamada “Revolução de 30” e, ao longo dos próximos 15 anos, vive a Era Vargas (1930-1945). O período é muito lembrado pelos inúmeros direitos concedidos aos trabalhadores e também às mulheres, por exemplo. No entanto, também foi marcado pela centralização do poder e pela intensa repressão política, traço do estilo populista do então presidente Getúlio Vargas.

Período Pré-Modernista

A fase Pré-Modernista, entre 1910 e 1920, é caracterizada pela transição entre o movimento simbolista e o modernista - que será inaugurado, de fato, pela célebre Semana de Arte Moderna, em 1922.

A principal característica desse período pré-modernista é a coexistência entre diversas tendências artísticas, o que o torna um momento de sincretismo cultural. Suas principais marcas são o interesse pela realidade brasileira e a predileção por assuntos relacionados ao cotidiano nacional, além da valorização de temáticas relacionadas às questões sociais e do uso de uma linguagem simples e coloquial.

Entre os grandes nomes desse período, é possível destacar os trabalhos dos autores Euclides da Cunha, Monteiro Lobato e Augusto dos Anjos. No entanto, apesar da forte contribuição no campo literário, o movimento tem uma de suas origens mais marcantes no trabalho do pintor lituano Lasar Segall: o artista foi um dos principais expoentes das tendências modernistas entre os brasileiros, ainda em 1913.

Semana de Arte Moderna de 1922

Arte feita por Di Cavalcanti para a divulgação da Semana de Arte Moderna, evento que aconteceu em fevereiro de 1922

A Semana de Arte Moderna, também conhecida como Semana de 22, foi uma manifestação artístico-cultural marcante para a história do país. O evento aconteceu no Theatro Municipal de São Paulo, entre os dias 11 e 18 de fevereiro, e reuniu uma série de apresentações de dança e música, recitais de poesias, palestras e exposições de pinturas e esculturas.

Inspirados pelas vanguardas europeias, os artistas participantes propunham uma nova concepção estética, distanciando-se dos padrões artísticos tradicionais. Tal efervescência de ideias é fruto da busca pela consolidação de uma arte nacional, capaz de reinventar todas as frentes artísticas.

Dessa maneira, é perceptível a valorização da língua portuguesa brasileira e do folclore nacional, expressos em obras literárias recheadas de versos livres e brancos. Há também a valorização dos assuntos cotidianos e as diversas experimentações artísticas.

Fotografia da Comissão responsável pela organização da Semana de Arte Moderna. Da esquerda para direita, temos Manuel Bandeira, em segundo, e Mário de Andrade, o terceiro, Oswald de Andrade está no primeiro plano da imagem.

O evento chocou a população ao propor novas maneiras de sentir, ver e fruir a arte, e foi responsável por inaugurar de maneira simbólica o movimento modernista no Brasil, apresentando seus principais expoentes. Entre os organizadores da Semana de 22, estavam grandes nomes, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida, Paulo Prado e Di Cavalcanti.  

O que são as vanguardas europeias?

As vanguardas são o conjunto de movimentos artístico-culturais que emergiram em diversos países europeus a partir do início do Século XX. Seus principais movimentos foram cubismo, surrealismo, expressionismo, futurismo e dadaísmo. Juntos, influenciaram inúmeras vertentes da arte moderna, contribuindo para o rompimento e a reinvenção da produção artística em diversos cantos do mundo.

As fases modernistas

Marcado pela realização da Semana de Arte Moderna, o movimento modernista evoluiu seguindo três gerações diferentes - porém, pautadas no desenvolvimento de uma arte nacionalista. Entenda:

Fase Heróica (1922-1930)

A Primeira Fase Modernista, também conhecida como Fase Heróica, ocorreu entre a Semana de Arte Moderna, em 1922, e o ano de 1930. Sua principal característica é o compromisso com a renovação e a quebra dos paradigmas que cercavam as produções culturais da época. Por isso, esse período torna-se conhecido por suas tendências mais radicais e ousadas. As inspirações eram pautadas nas vanguardas européias, como cubismo, futurismo e surrealismo.

Em seu momento inicial, o modernismo atentaao passado e às questões culturais com um olhar crítico. Há, portanto, a valorização da ironia e da linguagem coloquial, somadas a um nacionalismo ácido.

Outra de suas marcas fundamentais foi a publicação de manifestos e revistas voltadas à temática. Entre as publicações, destacam-se as revistas Klaxon (1922) e Estética (1924), e entre os manifestos, sobressaem-se os textos Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924) e Manifesto Antropófago (1928). Há também a formação de grupos modernistas, como Movimento Pau-Brasil e Movimento Antropofágico, por exemplo.

Principais artistas: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Menotti del Picchia, Lasar Segall e Heitor Villa-Lobos.

Fase de Consolidação (1930-1945)

A Segunda Fase Modernista, também conhecida como Fase de Consolidação, ocorre entre os anos de 1930 e 1945, sendo considerada um período de amadurecimento para o movimento. Há o predomínio de temáticas nacionalistas e regionalistas, assim como a predileção por romances focados em fatos e de caráter documental. A escolha desses temas está relacionada, sobretudo, à maior politização desta geração, que foca seus trabalhos na miséria brasileira.  

Em paralelo, as contribuições poéticas brasileiras começam a se sedimentar, e nos texto, é possível encontrar traços individualistas, pessimistas e de isolamento.

Principais artistas: Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, Vinícius de Moraes, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado, Érico Veríssimo e Rachel de Queiroz.

Fase Pós-Modernista (1945-1980)

A última fase do modernismo é um período multifacetado, notável pela diversidade da prosa, com a sua vertente urbana, intimista e regionalista. Há também uma forte influência do objetivismo, marcado pela introspecção, a melancolia e o individualismo.  

Além disso, é essencial a contribuição da Geração 45, grupo de escritores que buscava a produção de prosas mais equilibradas. Conhecidos como neoparnasianos, revalorizaram as métricas da rima e a metalinguagem.

Principais artistas: Mário Quintana, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Ariano Suassuna e Lygia Fagundes Telles.  

Atenção!

Vale ressaltar que a divisão entre os três períodos modernistas é uma ferramenta didática e que, desta maneira, as suas características não anulam umas às outras, pois uma nova fase sempre se apoia naquela que a antecede.

Portanto, lembre-se: nenhum artista está preso a uma única fase! Muitos deles transitaram entre os momentos artísticos e contribuíram de maneira extensa para a formação cultural do país.

As contribuições do movimento modernista para as artes é inegável. Sua ruptura e experimentação originaram uma manifestação artística genuinamente brasileira, tornando-se base relevante para a formação de nossa identidade cultural. Por isso, compreender seu contexto histórico e suas nuances artísticas é essencial para conhecer a história da arte e da literatura do nosso país.

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