Um dos filósofos mais estudados na modernidade, Immanuel Kant é um dos pontos de partida da filosofia alemã moderna. Ele tentou resolver questões entre o racionalismo de Descartes e Leibniz e o empirismo dos filósofos David Hume e John Locke. Quer saber mais sobre Kant? Acompanhe este post!

Vida e obra 

Nascido em Königsberg, na Prússia Oriental, em 22 de abril de 1724, Immanuel Kant foi o quarto de nove filhos de Johann Georg Kant e Anna Regina Kant. Ele viveu uma vida modesta e devotada ao luteranismo. Passou a adolescência estudando em um colégio protestante, e em 1740 foi para a Universidade de Königsberg. Doutorou-se em filosofia, mas também estudou física e matemática, além de lecionar ciências naturais. 

A filosofia de Kant possui duas fases: a pré-crítica (1755-1780) e a crítica (1781-1800). Na pré-crítica, há a afinidade do filósofo com o pensamento metafísico e racionalista. Essa fase termina em 1770, ao assumir a Cátedra de Lógica e Metafísica na Universidade de Königsberg. Após ler Hume, filósofo conhecido pelo empirismo radical e ceticismo filosófico, Kant iniciou a fase crítica de suas obras. Por isso, a filosofia kantiana é conhecida como criticismo. 

As obras mais importantes de Kant são "Crítica da razão pura" (1781), "Princípios fundamentais da metafísica dos costumes" (1785) e "Crítica do juízo" (1790). Em "Crítica da razão prática" (1788), o filósofo formula as bases da sua filosofia moral. Para Kant, só a razão era suficiente para resolver questões relativas à moralidade, sem a necessidade das superstições. Immanuel Kant faleceu em 12 de fevereiro de 1804, aos 80 anos, em Königsberg.

A filosofia Kantiana

Kant pretendeu superar a discussão entre os racionalistas cartesianos e os empiristas britânicos, redefinindo os limites entre fé e razão. Além disso, propôs bases para a constituição da moral. A filosofia kantiana pode ser resumida em quatro questões básicas: “Como se pode conhecer?”, “Como agir?”, “O que esperar?” e “O que é o homem?”. A razão era sempre o centro das análises de Kant, partindo da ideia de que era necessário perceber o que era, o que ela podia ou não conhecer e quais os seus limites e relações com a experiência. 

O principal ponto do criticismo kantiano é a solução do debate entre racionalistas e empiristas, chamada de Revolução Copernicana da Filosofia. Essa dualidade é resolvida por meio da harmonia entre os sentidos e a razão, para que possamos conhecer melhor a nós mesmos e ao mundo. Kant afirma que não somos capazes de conhecer os objetivos reais por inteiro, e o que conhecemos sobre eles é fruto apenas do que somos capazes de pensar acerca deles. 

Para Kant, o ser humano, por meio de seus prioris, os aparatos subjetivos, consegue determinar o objeto do seu conhecimento. O modo de enxergar da filosofia kantiana encaixa esses objetos em intuições, como o espaço e o tempo, e em categorias, como pluralidade e causalidade. O filósofo mostra os conceitos e os princípios que tornam o pensamento possível, fazendo uma crítica à ideologia da razão. 

O filósofo também afirma ser impossível, por meio da razão, a existência de um Deus, pois essa concepção não estaria dentro dos limites racionais. Ele não nega a existência de Deus, mas tenta demonstrar que essa não deve ser uma preocupação da filosofia, que deve focar no que realmente é conhecido por uma combinação da razão com os sentidos. 

Para Kant, não existe um mundo independente do sujeito, ou seja, o objeto a ser conhecido só existe em função de um indivíduo que o conhece. Kant libertou os homens do universo ao qual se encontravam presos e deu a eles uma nova direção: o próprio homem. Esse pensamento deu início a uma nova concepção de metafísica. 

A filosofia moral 

As principais obras de Kant sobre questões éticas - que para ele fazem parte de outra dimensão da nossa racionalidade: a razão prática, e não a teórica - são: “Fundamentação da metafísica dos costumes” e “Crítica da razão prática”, que tratam da ética no sentido puro; e “Metafísica dos costumes”, uma tentativa de aplicação dos princípios éticos. Ele considera o homem como agente livre e racional, e não como sujeito de conhecimento. 

Na visão de Kant, somos livres no domínio da razão prática, em que se colocam as questões da liberdade e da moralidade. Já no domínio da razão teórica, a do conhecimento, somos limitados por nossa estrutura cognitiva. Nessa concepção, a ética é racional e universal, no sentido de que não existem restrições aos preceitos de caráter pessoal ou subjetivo, nem aos hábitos e às práticas culturais ou sociais. 

A ética kantiana

Para Kant, a capacidade do homem de diferenciar o certo do errado é inata, ou seja, já nasce com ele. Sendo assim, a moral humana independeria da experiência, já que nasceríamos com ela e, como é anterior à experiência, ela valeria para todas as pessoas, onde quer que elas estivessem e em qualquer tempo. 

Em relação às quatro perguntas que norteiam a filosofia kantiana, a questão moral tem a ver com “Como agir?”. Kant procura responder a essa questão de maneira a constituir uma ética, que começa do pensamento de que o homem não escapa do “imperativo categórico”, uma ordem válida para agir em relação a tudo. 

Esse conceito se refere ao modo como o ser humano sempre deveria agir, de forma que a regra seguida na ação dele se transforme numa lei geral. Ou seja, quando fazemos uma escolha e agimos de certa forma, devemos estar convictos de que podemos desejar que todas as outras pessoas tenham a mesma atitude numa situação semelhante. Aqui, agir moralmente é uma questão de dever do ser humano.

A "maioridade"

A resposta de Kant à pergunta “O que é esclarecimento?”, ou seja, o que é o próprio iluminismo, estava na figura do homem, que deveria sair da “menoridade” do conhecimento e atingir o ponto mais alto para perceber sua capacidade de conhecer. Para Kant, o conhecimento é o meio pelo qual o homem atinge a sua liberdade.

Deu para perceber que Kant teve grande participação na filosofia, não é mesmo? Acompanhe o nosso blog e confira outros posts sobre os pensadores da nossa sociedade:

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