Você sabia que o dia 25 de janeiro ficou marcado na história política do Brasil? Não? Então preste atenção que vamos te contar! Lá em 1984, na Praça da Sé, em São Paulo, mais de 500 mil pessoas se reuniram em um dos comícios mais significativos do movimento “Diretas Já”, que lutava pela volta da democracia ao país. Na época, o Brasil era governado pelos militares e diversos direitos democráticos haviam sido retirados da população. Para entender a importância dessa movimentação popular, vamos contextualizar a história desse período. Acompanhe!

Brasil antes do Regime Militar

No ano de 1961, João Goulart tomou posse da presidência do Brasil, após a renúncia de Jânio Quadros. Porém, Jango (como ficou conhecido) sofria uma enorme desconfiança por parte dos militares, latifundiários e conservadores, devido à sua aproximação com a União Soviética e aos seus ideais mais ligados à esquerda. 

A situação de Jango piorou drasticamente após o anúncio das Reformas de Base, que visavam mudanças econômicas e sociais. As principais reformas propostas eram a agrária e a bancária, lançadas em um grande evento com mais de 150 mil pessoas na Praça da República, no Rio de Janeiro.

Em resposta ao ato do presidente, os opositores políticos, militares, igreja e outros grupos conservadores organizaram a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, com o intuito de se colocarem contra o governo e a favor de um golpe militar.

No dia 31 de março de 1964, Jango cumpriu seus compromissos políticos em Brasília. Porém, durante a madrugada, enquanto se deslocava para Porto Alegre para mais atividades, tropas militares de Minas Gerais e de São Paulo se reuniram no Rio de Janeiro. O presidente do Senado, Auro Soares de Moura Andrade, declarou, então, que o cargo de Presidente da República estava vago, dando espaço para que os militares assumissem o poder. Iniciou-se assim o Regime Militar no Brasil, que durou até 1985.

O Regime Militar (1964 - 1985)

Durante os 21 anos que o Brasil viveu sob o comando dos militares, cinco generais ocuparam o posto de Presidente da República. Sob a promessa de não deixar o país se tornar uma nação comunista e focando na recuperação econômica, eles tomaram atitudes que geraram descontentamento de parte da população e inclusive de algumas classes que apoiaram o golpe, como o fechamento do congresso, a retirada do direito a voto da população, a prisão de pessoas que se manifestavam contra o regime e o controle da imprensa.

A partir de 1974, quando Ernesto Geisel assumiu o poder, o país já estava passando por uma transição entre os tempos mais nebulosos da ditadura para o início de uma lenta abertura democrática, que ocorreria apenas dez anos depois. Nesse período, a Arena, partido ligado aos militares, sofreu uma grande derrota na Câmara dos Deputados e no Senado com o crescimento do número de representantes do MDB, partido opositor ao regime.

A essa altura, os opositores já contavam com o apoio da Igreja Católica, da Associação Brasileira de Imprensa e da Ordem dos Advogados do Brasil, dando ainda mais força ao movimento contra os militares.

Ao final de seu mandato, o presidente estava sofrendo grandes pressões populares e também dos militares mais conservadores, que não aceitavam a indicação do general João Figueiredo para a sucessão e desejavam alguém que fosse "linha-dura". Mesmo assim, Geisel seguiu com a indicação de Figueiredo, que se sagrou vitorioso.

Em março de 1979, João Figueiredo assumiu o cargo de Presidente da República, com a promessa de voltar para a democracia. A crise econômica, somada ao crescimento dos movimentos sindicalistas, gerou diversas greves de funcionários de grandes empresas. Para acalmar a sociedade, o presidente se viu obrigado a assinar a Lei de Anistia, que devolvia os direitos políticos aos opositores do governo que estavam exilados. Por outro lado, em uma manobra para dissipar o crescimento do MDB, Figueiredo extinguiu os dois únicos partidos que existiam (Arena e MDB), dando a chance de outros partidos políticos serem criados. Ele visava, assim, o enfraquecimento da oposição.

Diretas Já

O movimento popular pelo fim da Ditadura Militar e pela redemocratização do país se tornou cada vez maior. Em 1983, com a proximidade das novas eleições presidenciais, os partidos de oposição, junto aos movimentos populares, organizaram comícios pedindo a volta do voto direto. Essas manifestações ficaram conhecidas como “Diretas Já”. 

Na Câmara dos Deputados, o deputado Dante de Oliveira apresentou uma emenda constitucional que colocava fim ao voto indireto e permitia a participação popular na escolha do presidente. Criou-se, então, uma grande expectativa na aprovação dessa emenda.

No dia 25 de janeiro de 1984, importantes personalidades, civis e políticos se reuniram na Praça da Sé para acompanhar o início da votação da Emenda Dante de Oliveira, como ficou conhecida. Mas foi apenas em maio que se teve o resultado negativo para os opositores do governo. Embora o maior número de pessoas tenha se reunido em São Paulo e no Rio de Janeiro, houve adesão dos civis em diversas cidades do país.

Sem a participação direta do povo, contudo, Tancredo Neves foi escolhido junto com o vice, José Sarney, para concorrer ao pleito de 1985 contra os militares. A vitória de Tancredo para a presidência pôs fim ao Regime Militar no Brasil, porém o presidente eleito não chegou a governar, pois faleceu antes de tomar posse, deixando o cargo para Sarney.

Importância do movimento

A reivindicação “Diretas Já” foi o maior movimento popular da história do Brasil e teve grande influência para acabar com o Regime Militar. O povo mostrou que estava insatisfeito com as políticas, as crises econômicas, a falta de liberdade de expressão e a perseguição aos opositores e, juntos, desafiaram as forças militares, lutando pela redemocratização do país.

Este episódio nos ajuda a entender como foi a parte final de um período marcante do nosso país. O que achou deste conteúdo? Comente aqui embaixo! Aproveite e leia outros textos do nosso blog.

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