A Revolução Russa deve ser vista como um complexo processo de movimentos políticos que culminaram na queda do regime absolutista na Rússia e na instauração do primeiro governo de bases marxistas da história. Foi a primeira experiência que apresentou uma alternativa ao capitalismo liberal praticado pelas principais potências do mundo.

Dividida em fases distintas, essa revolução traz a participação popular e camponesa juntamente com lideranças políticas importantes para a história russa. No post de hoje, você vai aprender um pouco mais sobre cada um desses momentos históricos e seus desdobramentos, que marcaram o século XX.

Antecedentes

Imagem: Família do Czar Nicolau II, foto de 1914.

Para entender os motivos que transformaram o território russo no berço da primeira experiência socialista da história, é preciso entender o contexto em que o país vivia no início do século XX. Por mais que fosse uma grande potência até o século XIX, as bases econômicas, sociais e políticas da Rússia ainda eram frágeis. O atraso em relação a outras nações europeias era evidenciado por fatores como:

Czarismo

A Rússia vivia sob uma monarquia absolutista, à época representada pela figura máxima do czar Nicolau II, da dinastia Romanov. Apoiado pela nobreza aristocrática e pela Igreja Ortodoxa, Nicolau governava sem leis ou parlamento, concentrando todo o poder em suas mãos.

Concentração agrária

Enquanto nações europeias, como a Inglaterra, assistiam às mudanças provocadas pela Revolução Industrial e o aumento do número de moradores nas cidades, a Rússia ainda era um país essencialmente agrário. Tinha um sistema ainda bem próximo ao feudalismo, onde as terras ficavam nas mãos da aristocracia rural. A população era majoritariamente camponesa e vivia em condições de muita pobreza e fome.

Em 1914, a população rural estava em torno de 142 milhões de pessoas. Já as cidades contavam com um contingente populacional de 36 milhões, uma diferença gritante e que evidenciava o perfil agrário do país.  

Burguesia frágil

Ainda no século XIX, a Rússia passou por um processo de modernização. Porém, as bases da industrialização do país se deram por meio de de concessões fornecidas pelo czar Nicolau II. A maior parte das fábricas estava concentrada nas mãos de uma burguesia internacional, principalmente da Inglaterra e da França.

Opressão e péssimas condições de vida

Devido ao caráter ditatorial do governo, os cidadãos russos não contavam com direitos básicos, como liberdade de expressão e livre circulação de ideias. Os partidos políticos eram proibidos e só existiam na clandestinidade. Quem se opusesse ao czar era violentamente perseguido, principalmente por órgãos como a Ochrana, também conhecida como a polícia secreta do regime.

No campo, a situação era de miséria e fome, agravada principalmente pelas consequências da Guerra Russo-Japonesa (1904-1905) e pelo aumento da inflação. A população das cidades, apesar de minoria no país, ainda assim era gigantesca, se comparada a outras nações industrializadas. Os operários  enfrentavam péssimas condições de trabalho e, com tudo isso, o sentimento de revolta era generalizado.

Ensaio Geral de 1905

Imagem: quadro O Domingo Sangrento pintado por  Ivan Vladimirov.

Por mais que houvesse um sentimento de insatisfação generalizada com o governo, o czar ainda carregava uma aura divina, muito sustentada pela Igreja Ortodoxa. Nicolau era visto como um “pai” pela população, que respeitava sua figura, apesar da crise instaurada no país.

Em 9 de janeiro de 1905, a população se reúne e leva uma carta ao czar, solicitando que ele atendesse às reivindicações para tentar amenizar a crise. A resposta, entretanto, foi violenta, e, em 22 de janeiro de 1905, a polícia abriu fogo contra o povo; acontecimento que ficou conhecido como Domingo Sangrento.

O sentimento de revolta aumentou, ocasionando uma série de greves, passeatas e até motins ao redor do país. Nicolau promete, então, uma pequena abertura à população, o que ficou marcado principalmente pela convocação da Duma, uma assembleia legislativa onde o parlamento procura elaborar uma constituição para limitar o poder do czar. Porém, com o passar do tempo, a Duma passa a ser controlada por Nicolau, não havendo mudanças de fato na situação da Rússia.

Sovietes

Os eventos de 1905 culminaram  na criação dos chamados sovietes, conselhos populares formados por operários, estudantes, camponeses e até militares. Sem vincular-se a sindicato ou partido político algum, foi um movimento social motivado pela necessidade popular de se organizar para resolver os problemas sociais e econômicos do país.

Os sovietes foram responsáveis pela difusão da ideologia comunista no país, visto que os ideais de Marx e Engels eram pautas recorrentes nessas reuniões.

Partidos clandestinos

Por mais que a representação partidária fosse ilegal na Rússia czarista, algumas organizações sobreviviam na clandestinidade. Havia partidos anarquistas, democratas e, o mais famoso deles, o POSDR, ou Partido Operário Social-Democrata Russo. Divididos em dois grupos diferentes, seus membros seriam os responsáveis por liderar a revolução russa.

Vertente bolchevique

Composta pela maioria dos associados ao partido, os bolcheviques eram mais radicais em seus ideais. Defendiam uma revolução socialista imediata e liderada pela classe trabalhadora. Segundo eles, a modernização viria paralelamente ao processo revolucionário.

Vertente menchevique

A minoria menchevique defendia que, antes da revolução, a Rússia deveria passar por um processo intenso de modernização. Em seguida, seria possível instalar uma República Democrática. Só depois o país receberia um governo comunista.

1ª Guerra Mundial e a Revolução de Fevereiro de 1917

Imagem: encontro de trabalhadores em São Petersburgo. Fotografia de 1917.

Você já aprendeu no nosso post sobre a 1ª Guerra Mundial todos os motivos que levaram ao conflito de 1914, bem como seus desdobramentos para a história do mundo, certo? Além de tudo isso, o confronto entre as principais potências europeias também serviu de estopim para a Revolução Russa, em 1917.

A pressão interna e a grave crise socioeconômica gerada pelos gastos no conflito, exigiam que o czar retirasse o país da guerra. Já a Inglaterra pressionava o país em direção à sua continuação nos campos de batalha, visto que o território russo poderia ser importante para barrar o avanço da Alemanha. A situação era de crise e a população passava fome dentro da Rússia. As mortes de inúmeros soldados, principalmente em decorrência do frio e das péssimas condições, motivou o exército a romper com Nicolau; um ato conhecido como insubordinação militar.

Novas revoltas se espalharam pelo país, reunindo milhões de pessoas e contando agora com apoio militar. A situação era incontrolável para Nicolau, que renunciou. Era a eclosão da Revolução Russa de 1917.

Primeira fase: Etapa branca ou menchevique

Os mencheviques foram os primeiros a liderarem o movimento que começou em fevereiro de 1917, segundo o calendário russo (março de 1917 para os brasileiros). O período foi marcado pela proclamação de uma república. Houve uma série de medidas democráticas, como a concessão de liberdade de imprensa e a legalidade da criação de partidos políticos. Além disso, esse período permitiu o retorno dos exilados políticos pelo antigo regime.

Entre os retornados do exílio, encontrava-se Lênin, líder dos bolcheviques, que discordava veementemente das medidas tomadas pelo governo republicano. Pouco tempo depois, ele proclama as Teses de Abril (1917), uma série de diretrizes que, entre outras coisas, defendia que o poder deveria vir dos sovietes. Seus slogans eram: “Paz, pão e terra” e Todo poder aos sovietes”.

Em seguida, os bolcheviques, com o apoio do líder Leon Trotsky, se armam e passam a controlar os sovietes e as instituições públicas das principais cidades, como Kiev e São Petersburgo. A República não resolve os problemas da crise russa, e em outubro de 1917, os bolcheviques, com o apoio de operários, camponeses e soldados, tomam o poder.

2ª Fase: etapa vermelha ou bolchevique

Em Outubro de 1917 (no calendário ocidental, novembro de 1917) os bolcheviques, liderados por Lênin, ascendem ao poder e uma série de medidas é tomada. As principais são a distribuição de alimentos, a reforma agrária e a assinatura do tratado de paz com a Alemanha, o que retira definitivamente a Rússia da Guerra.

Guerra Civil Russa (1917 - 1921)

Logo após a retirada da Rússia do conflito, iniciou-se uma guerra civil no país. De um lado, o Exército Vermelho dos bolcheviques, liderados por Trotsky. Do outro, o Exército Branco dos mencheviques, apoiados pela aristocracia e pela burguesia internacional, que via com maus olhos os ideais comunistas da revolução.

Com o capital internacional enfraquecido pelas consequências da Primeira Guerra Mundial, o Exército Branco se viu sem grande apoio e perdeu o conflito interno. Em 1920, os bolcheviques, liderados por Lênin, assumiram de fato o controle político da Rússia e os “anti-revolucionários” foram perseguidos.

Criação da URSS

Imagem: fotografia de Lenin em seu escritório.

O ano de 1922 consolida a revolução e o Partido Comunista na Rússia. No mesmo ano, o país se transforma no centro da URSS, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, um dos grandes marcos para a história do século XX.

Mesmo com a revolução e o fim da guerra civil, a crise econômica ainda assola o território russo. Pessoas morrem de fome e de frio no campo e nas cidades. Sob a liderança de Lênin, o governo lança a N.E.P, também chamada de Nova Política Econômica.

Com o lema de “dar um passo pra trás para dar dois para frente”, a medida de liberdade econômica temporária adota práticas capitalistas que haviam sido abolidas anteriormente. O objetivo era deixar que o mercado funcionasse, permitindo que os empreendedores investissem nos negócios para tentar recuperar a economia. Somente após a reabilitação econômica iria se instalar o governo socialista, de transição para o comunismo.

A ascensão de Stalin

Em 1924, Lênin morre e deixa a disputa política na mão dos bolcheviques. De um lado, Trotsky, o chefe militar do Exército Vermelho, que defende a expansão dosocialismo pelo mundo. Do outro, Stálin, que acreditava que a União Soviética deveria se fortalecer, para só depois levar o regime para o restante do mundo.

Stálin sai vitorioso, porém a disputa ideológica e política se transformou em perseguições violentas, culminando na morte de Trotsky, já no exílio, em 1940, e também na prisão de milhares de pessoas que se opunham ao governo.

Com a posse de Stálin, inicia-se na Rússia o chamado “Stalinismo”, um regime totalitarista e ditatorial, marcado pela planificação da economia. Apesar das questões sociais, a economia cresce e transforma a URSS em uma das maiores potências do século XX.

O governo totalitário também foi marcado por perseguições políticas, cerceamento de certas liberdades individuais, controle da imprensa e da cultura e um afastamento de outras potências capitalistas ao redor do globo.

A liderança de Stálin na URSS se relaciona com outros momentos históricos, como a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria, que serão assuntos dos próximos posts de história do nosso blog. Fique de olho!

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