A Revolução Industrial é, na verdade, um processo histórico que teve seu início na Inglaterra durante o século XVIII. Deve ser visto não apenas como algo único, mas sim como um período que envolve a sequência de pelo menos três fases que mudaram os rumos da produção no mundo.

Além disso, os novos contextos industriais surgidos na Revolução contribuíram decisivamente para a formação da sociedade atual, principalmente no que diz respeito às relações de trabalho.

No post de hoje, trataremos das diferentes revoluções industriais que ocorreram, seus desdobramentos e seus efeitos para a sociedade como um todo. Confira!

Primeira Revolução Industrial

Os primeiros movimentos em direção à criação de uma cadeia de produção em série iniciaram-se na Inglaterra do século XVIII. O setor têxtil caminhou de um modelo de trabalho artesanal para um processo industrial, mecanizando as manufaturas e possibilitando o escoamento de produtos em maior escala. Isso aconteceu graças a uma sequência de condições anteriores e contemporâneas à época:

Acumulação de capital

As Grandes Navegações, que iniciaram-se nos séculos XV e XVI, contribuíram para a consolidação de um comércio mercantil na Europa. As colônias se transformaram em fontes de matérias-primas e especiarias baratas. Com isso, as potências do Velho Mundo, como Inglaterra, Espanha e Portugal, conseguiram expandir consideravelmente suas riquezas.

O capitalismo comercial, que se realizava com as trocas entre os países, começou a dar poder a uma burguesia nascente, que procurou investir o seu dinheiro em outros setores aparentemente rentáveis, como os modelos industriais, que davam seus primeiros passos à época.

Novas tecnologias

Alguns avanços tecnológicos desse período foram diretamente responsáveis por criar um terreno fértil, que permitiria o desenvolvimento da Revolução Industrial, como:

Máquinas a vapor

Estudiosos, como James Watt, encontraram novas maneiras de utilizar as máquinas de maneira eficiente, conseguindo aumentar consideravelmente a força motriz ao se aproveitar as fontes energéticas mais potentes.

Tear mecânico

As máquinas de tear retiravam a necessidade do manuseio da força humana, conseguindo trabalhar de maneira mais rápida e eficiente.

Matérias-primas

A utilização de outras fontes de energia mais potentes, como o carvão mineral, facilitou a criação de máquinas e a produção de novos produtos para consumo. Nesse sentido, também podemos citar a fundição do ferro como uma importante técnica que ajudou no desenvolvimento da indústria.

Revolução ferroviária

A construção de estradas de ferro, juntamente com a modernização das locomotivas à vapor, facilitou o transporte de matérias-primas para as indústrias. Além disso, ajudou a escoar a produção de grandes cargas de produtos de forma bem mais rápida.

Pioneirismo inglês

A Inglaterra é considerada o berço da Primeira Revolução Industrial, iniciada ainda no século XVIII. Isso porque o país criou condições favoráveis que facilitaram o nascimento de uma burguesia industrial em seu território.

A Inglaterra teve grande destaque durante as Grandes Navegações, estabelecendo um importante e forte comércio marítimo, e conquistando colônias como os Estados Unidos. Durante o período, ainda firmou acordos comerciais rentáveis, como o Tratado de Methuen, ou Tratado dos Panos e Vinhos. A aliança assegurava que Portugal vendesse especiarias para os ingleses, que em troca vendiam tecidos para os portugueses. Ao colocar na balança, os rendimentos provocados pelos produtos têxteis eram bem maiores, já que eram feitos com técnicas apuradas, diferente do vinho português, por exemplo.

A política dos cercamentos de terras realizou o processo de latifundiarização do campo inglês, concentrando-o na criação de ovelhas. Isso contribuiu para um fornecimento de lã, importante para a manufatura, aumentando a produção têxtil e transformando-a em uma indústria. Além disso, a medida também gerou êxodo rural da população para a cidade, crescendo a oferta de mão-de-obra barata nos grandes centros urbanos.

Mudanças na sociedade

Ao passo que a crescente burguesia industrial enriquecia, as fábricas também contribuíam para a realização de mudanças econômicas e sociais significativas. O dia a dia nas fábricas e a constante busca por lucros e produções ainda maiores, porém, criaram uma série de problemas.

Péssimas condições de trabalho

As condições de trabalho nas manufaturas eram em geral insalubres, sem oferecer nenhum mecanismo de segurança para seus funcionários. As jornadas eram longas e poderiam chegar a 16 horas diárias, enquanto os salários baixos mal ofereciam meios para a população se alimentar.

População das cidades

A Revolução Industrial também foi responsável por aumentar a população nas cidades, já que o campo não era mais a principal fonte de trabalho. As pessoas tiveram que se transferir para moradias próximas das fábricas, e a ocupação dos espaços urbanos, por vezes desordenada, fez com que as cidades ganhassem novos contornos e volumes.

Movimentos trabalhistas

Os direitos trabalhistas ainda eram praticamente inexistentes, e o dia a dia nas fábricas era pesado e insalubre. Na tentativa de lutar por melhores condições de trabalho, movimentos operários foram organizados. Ocorrido no início do século XIX, o ludismo, por exemplo, pregava a quebra das máquinas, funcionando como uma forma de resistência às demissões causadas pela mecanização dos processos. Com isso os trabalhadores buscavam destruir os equipamentos industriais em forma de protesto.

Enquanto o ludismo se caracterizava por atos isolados e desconexos, as chamadas trade unions, surgidas anos depois, destacaram-se pelo maior grau de organização. Esses grupos de trabalhadores são considerados predecessores dos sindicatos, que foram responsáveis por conseguir importantes mudanças nas legislações trabalhistas.

Segunda Revolução Industrial

Também conhecida por 2ª Fase da Revolução Industrial, foi um processo que ocorreu ao longo dos anos finais do século XIX. Enquanto o primeiro período na Inglaterra foi caracterizado pela indústria têxtil, nessa época já se vê uma diversificação da produção, concentrando-se em diferentes áreas da indústria. Uma série de inovações técnicas e tecnológicas ofereceram um crescimento ainda maior da produção, como:

Eletricidade

A utilização da energia elétrica contribuiu significativamente para a modernização das fábricas. Além disso, foi responsável pelas mudanças nas cidades, principalmente graças à iluminação trazida pelas lâmpadas com energia elétrica.

Indústria petroquímica

O aproveitamento das capacidades energéticas dos derivados do petróleo mostrou-se muito mais eficiente do que o do carvão mineral, aumentando a produtividade das máquinas.

Meios de transporte

Principalmente no início do século XX, houve importantes avanços na indústria de transportes. Novos meios, como os carros e os aviões, facilitaram ainda mais o deslocamento de pessoas e de mercadorias.

Meios de comunicação

O surgimento de meios de comunicação mais rápidos e eficientes, como o telégrafo e, posteriormente, o telefone, contribuíram para uma maior integração entre pessoas em diferentes espaços do mundo todo.

Avanços na saúde

A invenção da penicilina e de outros tratamentos de saúde foi responsável por aumentar a expectativa de vida da população.

Todas essas inovações foram responsáveis por aumentar a produção de mercadorias, diminuir os custos, diversificar os tipos de produtos e facilitar o escoamento da produção.

Novas potências

Nessa segunda fase da Revolução, novos países começaram seu processo de industrialização e logo se transformaram em potências do setor. Na Europa, a França, a Alemanha, a Bélgica e a Holanda merecem destaque. Porém, o avanço tecnológico ultrapassou as fronteiras da Europa e encontrou novos expoentes nos Estados Unidos e no Japão, por exemplo.

Movimentos sociais

De forma geral, as condições de trabalho nas fábricas continuavam insalubres. As jornadas continuavam extensas e os acidentes nas máquinas eram constantes. Além disso, não havia regulamentações específicas, o que propiciava até mesmo o trabalho infantil.

Enquanto na primeira fase da Revolução Industrial os movimentos sociais eram desorganizados e se concentravam em ações pontuais, no século XIX é possível identificar pensamentos mais fundamentados em pensadores e teóricos, como Karl Marx. Nesse sentido, surgiu o socialismo, corrente de pensamento que luta, entre outros benefícios, por direitos trabalhistas e melhores condições de trabalho, além de pregar uma socialização dos meios de produção.

Os ideais sindicais e sociais foram responsáveis por uma série de mudanças legislativas que surgiram no século XX, melhorando as condições de trabalho e criando leis específicas para proteger os trabalhadores ao redor do mundo.

Terceira Revolução Industrial

Muitos teóricos afirmam que a sociedade atual vem passando por uma terceira fase da Revolução Industrial, iniciada a partir dos avanços tecnológicos no pós-Segunda Guerra. O período após a segunda metade do século XX foi marcado por importantes avanços nos setores de transporte, tecnologia de ponta e comunicação, por exemplo.

Dessa forma, é importante visualizar a Revolução Industrial como uma sequência de fases ao longo da história, perdurando inclusive até os dias atuais. Os modelos industriais vão ganhando novos contornos ao longo do tempo, adequando-se às mudanças tecnológicas e também sociais.

Tal qual as duas primeiras fases da Revolução Industrial alteraram os parâmetros de produção e de trabalho na Europa e nas principais potências mundiais, os avanços nas áreas da robótica, da eletrônica e da informática estão contribuindo consideravelmente para diversas transformações da vida cotidiana, da saúde, da indústria e da economia.

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