A Revolução Francesa (1789) é considerada o marco inicial da Idade Contemporânea, sendo responsável por destituir o Absolutismo na França e assinalar a ascensão da burguesia ao poder. Seus ideais contribuíram decisivamente para o estabelecimento da sociedade conforme conhecemos atualmente.

No post de hoje, nós vamos estudar um pouco mais sobre os antecedentes, os acontecimentos e os desdobramentos que constituem esse importante momento da história mundial.

Contexto pré-revolucionário

Imagem: charge distribuída em Paris à época da Revolução. A gravura ilustra o sentimento do Terceiro Estado em estar “carregando nas costas” o clero e a nobreza durante a crise.

A França pré-revolucionária vivia um momento de profundas crises econômicas e sociais. Totalmente dependente do campo, o país ainda se organizava de acordo com o antigo regime, baseando sua economia em uma estrutura feudal marcada pela servidão à terra.

Além disso, sua sociedade era dividida em Estados. O Primeiro e o Segundo Estados eram constituídos pelo clero e pela nobreza, respectivamente. Somados, porém, representavam apenas cerca de 3% da população do país. Além disso, eram detentores de privilégios de nascimento, como o não pagamento de impostos e o acesso à terra.

Já o Terceiro Estado era formado por uma heterogeneidade de grupos de pessoas, como camponeses, artesãos, servos e a alta e média burguesia. A má administração da monarquia, as guerras contra a Inglaterra, os privilégios dos dois primeiros Estados e o atraso industrial do país revoltavam essa parcela da população.

Setores da burguesia, representantes populares e pensadores adeptos do iluminismo defendiam que a realidade da França não condizia mais com uma Europa capitalista e industrializada, conforme já era visto na Inglaterra. Desta forma, esse conflito levou a França a uma crise no final do século XVII, principalmente porque a estrutura agrária e os desmandos de um poder central absolutista não conseguiam acompanhar o liberalismo econômico que se instaurava em outras potências do mundo.

Convocação dos Estados Gerais

Imagem: Convocação dos Estados Gerais, 5 de maio de 1789 por Auguste Couder.

Em meio ao contexto da crise econômica, social e política, o rei Luís XVI realiza uma Convocação dos Estados Gerais, reunindo representantes dos três setores sociais a fim de tomar decisões para pôr fim aos problemas.

O clero e a nobreza exigiam que o voto fosse contado por Estado, o que os ajudava a manter os próprios benefícios. Já o Terceiro Estado reivindicava que a contagem fosse feita de acordo com o número de representantes. Além disso, queriam acabar com os privilégios dos dois primeiros estados para que todos sentissem os efeitos da crise da mesma maneira.

Cansado da falta de perspectiva de divisões mais justas, o Terceiro Estado se rebela e autoproclama a Assembleia Nacional Constituinte.

Rebeliões e a Queda da Bastilha

Em paralelo às reuniões dos Três Estados com a monarquia, a população se rebelava tanto nas cidades quanto no campo. Houve ataques, roubos e agressões a representantes da nobreza, o que obrigou muita gente a fugir para os espaços urbanos ou até mesmo para as nações vizinhas.

No dia 14 de julho de 1789, a população revoltosa se reúne em massa e toma a Bastilha, uma prisão símbolo do poder da monarquia absolutista da França. Esse dia é considerado, oficialmente, o início da Revolução Francesa.

Etapas da Revolução

Imagem: Robespierre, Danton e Marat (Alfred Loudet 1882).

Os anos pelos quais a Revolução Francesa se estendeu foram marcados por períodos diferentes. Conheça:

Assembleia Nacional Constituinte

No início da Revolução, o Terceiro Estado se reúne e promulga uma nova Constituição. Chamada de Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão (1789), é um marco que perdura até hoje. De viés iluminista, ela põe fim aos privilégios dos primeiros Estados e institui o pagamento de impostos para todos.

A Constituição traz outros marcos para o direito, como o voto censitário, a igualdade jurídica e a liberdade de expressão dos homens. É daí que vêm as três palavras que se tornaram símbolo da revolução: liberdade, igualdade e fraternidade.

Além disso, a Constituição estabeleceu uma Monarquia Constitucional na França. O poder do rei já não era mais absoluto e estava sujeito às regras da lei.

Disputas pelo poder

Esse fato gerou uma disputa pelo poder, marcado pelo embate de dois grupos do chamado Terceiro Estado:

  • Girondinos: reuniam-se à direita da Assembléia. Representados pela alta e pela média burguesia, eram considerados “moderados”. Não queriam mudanças significativas em relação às estruturas sociais e prezavam principalmente pelos interesses econômicos do país.
  • Jacobinos: reuniam-se à esquerda da Assembléia. Representados pela baixa burguesia, camponeses e trabalhadores urbanos. Eram considerados mais “radicais”, já que exigiam mudanças mais profundas no contexto social do país.

Por mais que os conceitos de “direita” e “esquerda” tenham sido  alterados no decorrer do tempo, suas origens são oriundas desse período da Revolução.

A época também foi marcada por tentativas dos primeiros Estados retomarem o seu poder e seus privilégios. Muitos nobres saíram da França para buscarem apoio de representantes da nobreza de outros países, criando as coalizões internacionais para tentar barrar as mudanças trazidas pela Revolução.

Em 1791, o rei Luís XVI  e sua esposa Maria Antonieta tentam fugir para a Áustria, terra do irmão da rainha. Eles são capturados pelos revoltosos e vão a julgamento. Esse fato contribui para o crescimento do poder dos jacobinos e inaugura uma nova fase da revolução.

Convenção Nacional

O casal real é julgado e condenado à morte por guilhotina. Com os jacobinos à frente do poder, inicia-se uma época de mudanças mais profundas na economia e na sociedade. São aprovadas medidas, como a abolição da escravidão nas colônias e a Lei do Máximo, em que a população passa a ter controle dos preços para tentar conter a inflação agravada por uma crise econômica que ainda persistia.

Como não havia mais rei, o período foi considerado uma espécie de República Francesa. Os objetivos principais do governo estavam centrados em manter a Revolução ocorrendo. Foram criados Comitês de Salvação Pública, visando a punição daqueles que eram considerados inimigos da Revolução. É considerada uma “época do terror”, marcada por um grande número de execuções feitas por guilhotina. Líderes, como Robespierre, comandavam um período conturbado e violento.

A perseguição política, marcada por um intenso descontrole, acabou atingindo também os jacobinos, que eventualmente viram seus líderes condenados e assassinados. Isso, então, fez crescer o poder dos girondinos, que logo ascendem e inauguram uma nova fase.

Diretório

Em 1795, os girondinos da alta e da média burguesia voltam ao poder, inaugurando um regime moderado e desfazendo algumas das mudanças provocadas pelos antigos governantes jacobinos. Escândalos de corrupção e ameaças internas e externas, aliadas a uma intensa crise, deixavam o governo difícil.

Nesse contexto de problemas, começa a surgir um clamor por estabilidade política e econômica. A Revolução sofre dificuldades de se manter e começa a ascensão da figura de Napoleão Bonaparte, um centralizador visto com bons olhos pela população, pelos militares e pela burguesia.

Em 1799, Napoleão chega ao poder e marca o fim da Revolução Francesa. Pouco tempo depois, porém, o governo do comandante fica marcado pelo Imperialismo, também responsável por levar os ideais da Revolução para muitos outros países e inspirar movimentos de independência em países da América Latina, por exemplo.

A Revolução Francesa foi importante para o mundo todo ao implantar, pela primeira vez, o pensamento de que diferentes classes dentro da sociedade podem possuir direitos iguais perante à lei. Os conceitos de igualdade, liberdade e fraternidade, além de inspirar ideais revolucionários em outras nações, são princípios básicos em muitas constituições até os dias atuais.

Entender os desdobramentos da Revolução Francesa é importante não apenas para passar no vestibular, mas para compreender a sociedade como conhecemos atualmente. É interessante ver que transformações ocorridas há séculos atrás ainda estão presentes no dia a dia, não é mesmo?!

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