A capa deste post traz os trabalhadores de Berlim Oriental reforçando o Muro de Berlim, em 1961. (Foto: research.archives.gov/Via University of Southern Califórnia)

Os bombardeios nucleares às cidades de Hiroshima e Nagasaki, seguidos da rendição japonesa, marcaram o final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O conflito se estendeu por cerca de seis anos e foi encerrado apenas em 1945, quando os países envolvidos no confronto assinaram um documento declarando os Aliados como vencedores - e os países do Eixo renderam-se. 

No entanto, nesse contexto, um novo e intenso conflito internacional começava a se desenhar. Ao contrário dos confrontos bélicos anteriores, a Guerra Fria envolveria questões políticas e ideológicas e diversas nações ao redor do mundo. Dessa vez, duas grandes potências político-econômicas antagônicas se enfrentariam: o socialismo soviético e o capitalismo norte-americano. Neste post, relembramos o que significou a Guerra Fria e quais foram os principais acontecimentos do período.

O que foi a Guerra Fria?

A Guerra Fria foi o conflito que as duas grandes potências emergentes após a Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e União Soviética, travaram em busca da superioridade mundial. O termo “Guerra Fria” foi cunhado pelo assessor presidencial norte-americano Bernard Baruch, em 1947. Na ocasião, o profissional se referiu à crescente rivalidade entre os países que nutriam ideais diferentes. 

A opção pelo uso da palavra “fria” remete à característica particular desse confronto: EUA e URSS não se enfrentaram com armas. A Guerra Fria envolveu embates econômicos, diplomáticos, sociais e principalmente ideológicos, dividindo o mundo em grandes blocos sob a influência de ambas as nações. Confira abaixo as características desse período.

Corrida armamentista

Entre as principais características da Guerra Fria, está a maneira como esse conflito desencadeou uma corrida armamentista, processo que se estendeu por mais de quarenta anos. Com ideais e pensamentos políticos completamente distintos, os Estados Unidos e a União Soviética colocaram o mundo em alerta; afinal, ambas as nações passam a investir de maneira significativa em estudos e produção de armamentos bélicos poderosos, além de armas com capacidade nuclear.

Corrida espacial 

Na tentativa de demonstrar a sua supremacia tecnológica, ambos os países também se envolveram na corrida espacial e passaram a disputar títulos envolvendo grandes descobertas e feitos no campo científico. A União Soviética ganhou destaque em 1961, quando o cosmonauta Yuri Gagarin tornou-se o primeiro homem a viajar para o espaço, a bordo do Vostok 1. Em resposta, os Estados Unidos continuaram investindo em pesquisas espaciais, e em 1969, o astronauta norte-americano Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar na lua.

Acordos internacionais

A Guerra Fria despertou um conflito constante e incansável entre duas potências com importante representação para o cenário econômico mundial. Os Estados Unidos buscavam aumentar a sua influência capitalista e, para alcançar seus objetivos, optaram por acordos e alianças com nações consideradas aliadas. 

O primeiro movimento norte-americano foi a criação da Doutrina Truman, uma série de diretrizes estabelecidas pelo presidente Harry Truman com o objetivo de proporcionar intervenções nas áreas que poderiam estar sobre possível influência comunista. Pouco depois, em 1947, o Plano Marshall aprofundou tais ideais e passou a oferecer auxílio econômico para que os países Aliados e demais nações europeias pudessem se reconstruir após a Segunda Guerra Mundial. 

No ano de 1949, a União Soviética decide reagir e cria o Conselho para Assistência Econômica Mútua, conhecido também como COMECON. Pensando em alternativas para frear a influência do Plano Marshall sobre nações socialistas, os soviéticos optaram por um projeto de apoio às relações econômicas entre os países do Leste Europeu. 

Ainda com o objetivo de diminuir a influência das nações socialistas, os Estados Unidos dão mais um passo e, ao lado de países como Canadá, Portugal, Dinamarca, Reino Unido e Itália, assinam o Tratado do Atlântico Norte e criam a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), cujo propósito era criar uma força militar conjunta e evitar o avanço dos ideais socialistas. Em resposta, a União Soviética cria o Pacto de Varsóvia, organização que envolvia os países comunistas com o mesmo propósito e garantia ajuda militar mútua para todas as nações ligadas a Berlim.

Conflitos armados

Apesar de a Guerra Fria ser marcada pela ausência de um conflito armado entre ambas as potências mundiais, Estados Unidos e União Soviética se envolveram em outras guerras locais ao redor do mundo. 

A Guerra do Vietnã (1959-1975) está entre os conflitos mais marcantes do período, sobretudo pela participação direta de soldados norte-americanos e soviéticos. Os soldados norte-vietnamitas, os vietcongues, que lutaram ao lado do exército soviético, tinham extremo conhecimento sobre o território do país, o que causou grandes problemas para os norte-americanos que lutaram na ocasião e gerou um número expressivo de mortes. Esse é considerado o primeiro conflito em que os Estados Unidos foram derrotados e forçados a deixar o território - o qual tornou-se socialista. 

A Guerra da Coréia (1951-1953) também foi outro conflito significativo. Os soviéticos ficaram ao lado da Coréia do Norte, enquanto os Estados Unidos defenderam a Coréia do Sul. A guerra foi desencadeada pela pressão para que o território coreano adotasse o socialismo como ideologia política. Devido aos impasses político-ideológicos, a guerra foi encerrada com a decisão de dividir a Coréia em duas partes, seguindo o paralelo 38. Assim, o norte ficou sob influência soviética, e o sul sob influência norte-americana. 

Caça às bruxas

Também chamado de macartismo, a caça às bruxas foi a perseguição do governo norte-americano aos socialistas ou aos simpatizantes desse ideal no país. Para muitos, essa atitude foi considerada perigosa e sinalizava a possível transformação da Guerra Fria em um conflito armado. 

Crise dos Mísseis (16-28 outubro de 1962)

Estados Unidos e União Soviética fugiram do conflito armado direto, mas as duas potências enfrentaram uma enorme pressão no episódio que ficou conhecido como Crise dos Mísseis. Na ocasião, a União Soviética instalou mísseis nucleares em Cuba, território extremamente próximo ao solo norte-americano e com ampla possibilidade de um ataque fácil ao país. Depois de uma negociação tensa, os Estados Unidos se comprometeram a não invadir Cuba, agora comandada por Fidel Castro, desde que os mísseis soviéticos fossem retirados de lá. 

Cortina de ferro e o Muro de Berlim

Em 1946, Winston Churchill usou o termo “cortina de ferro” pela primeira vez na história. Segundo o ministro britânico, essa barreira imaginária separaria a Europa com ideais capitalistas dos países europeus que seguiam as ideologias socialistas. 

O Muro de Berlim, construído em agosto de 1961, materializa as ideias de Churchill. Comandado pelo governo soviético, o muro impedia a circulação da população entre Berlim Oriental, socialista, e Berlim Ocidental, de caráter capitalista. A construção logo foi considerada um dos maiores símbolos da Guerra Fria e, para muitos historiadores, a queda do muro, em 9 de novembro de 1989, é apontada como símbolo do encerramento desse conflito ideológico.

Ao longo da década de 1980, as tensões entre os Estados Unidos e a União Soviética começam a diminuir gradualmente. Entre 1985 e 1991, Mikhail Gorbachev toma a iniciativa de democratizar a União Soviética, até que, no ano de 1991, ela é fragmentada em várias repúblicas independentes e marca o fim da Guerra Fria.

A Guerra Fria foi um dos maiores conflitos internacionais e também um dos embates mais longos entre potências mundiais. Aqui, listamos os principais tópicos envolvidos nesse confronto, mas não deixe de pesquisar mais sobre cada um deles para entender melhor as circunstâncias em que eles se desenvolveram.

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