Os bombardeios nucleares às cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki foram dois dos momentos mais marcantes e chocantes da história do século XX. Além de marcar o fim da Segunda Guerra, os terríveis eventos ocorridos em solo japonês impactaram a sociedade japonesa, as relações entre países e também a maneira como a população mundial passou a enxergar os conflitos internacionais. Nos itens abaixo você entende os motivos de tamanho impacto na geopolítica mundial. Confira!

Antecedentes

Vamos relembrar os principais acontecimentos que levaram ao lançamento das bombas:

Segunda Guerra Mundial

No dia 1º de setembro de 1939, o exército alemão, liderado por Adolf Hitler, invadiu a Polônia, marcando o início da Segunda Guerra Mundial. Até 1942, os países do Eixo (Itália, Alemanha e Japão) acumularam vitórias militares. Os alemães ocuparam territórios na Bélgica, na Holanda e em partes da França. À época, os principais combatentes contra as forças de Hitler eram os ingleses.

Imagem: foto de Adolf Hitler em uma Paris ocupada pelos nazistas, em 1940.

Ataque à base de Pearl Harbor

Segundo o portal on-line da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, até o ano de 1941, os EUA mantinham uma postura neutra na guerra, apenas enviando suprimentos aos aliados. O conflito ainda não havia chegado a terras norte-americanas até o dia 7 de dezembro de 1941, quando aviões japoneses atacaram a base de Pearl Harbor, na ilha de O'ahu, no Havaí.

A ação resultou na morte de cerca de 2.400 americanos e na destruição de aviões e navios. O ataque foi amplamente noticiado pela imprensa norte-americana e considerado um ultraje ao orgulho nacional ou, como disse o presidente Roosevelt, “uma data que viverá na infâmia”. De acordo com o The New York Times, à época milhares de pessoas se alistaram para lutar a favor dos Estados Unidos e, com o respaldo do Congresso e da própria população, no dia 8 de dezembro os americanos declararam guerra ao Japão e entraram oficialmente no conflito.

Derrota da Alemanha

No ano de 1939, a Alemanha e a URSS assinaram um tratado de não agressão, combinando que um país não atacaria o outro em um possível conflito. Em 1941, as tropas de Hitler violaram o acordo e marcharam rumo às cidades de Moscou e Leningrado.

A União Soviética declarou guerra à Alemanha. A invasão do território russo se mostrou uma estratégia ineficiente, resultando em uma série de mortes do exército alemão. Os Aliados invadiram a Itália e retiraram Mussolini do poder. Para defender o território, Hitler precisou abrir mais uma frente de guerra, enfraquecendo suas próprias forças.

Imagem: tropas americanas desembarcando na Normandia, dia 6 de junho de 1944.

Em 6 de junho de 1944, os norte-americanos desembarcaram na Normandia a fim de expulsar as forças alemãs da França. A missão foi cumprida com sucesso, e a data ficou conhecida como o Dia D. Quase um ano depois, em abril de 1945, com os alemães já enfraquecidos por tantas batalhas, o Exército Vermelho soviético toma a cidade de Berlim, resultando no suicídio de Hitler e na rendição da Alemanha.

Resistência japonesa

Após a rendição alemã em 1945, o Japão se manteve como o único país que ainda resistia no conflito. Os EUA diziam temer a ocorrência de ações desesperadas por parte do governo japonês, como um ataque parecido com o de Pearl Harbor. Então, o governo norte-americano defendia  dar um fim à guerra. Dentre as propostas estudadas, considerava-se invadir o território do país oriental, mas acreditava-se que isso poderia resultar em um número muito grande de mortes.

À época, cientistas já haviam testado bombas atômicas no território do Novo México, nos EUA. O governo decidiu usá-las como uma forma de impressionar os adversários e mostrar o impacto que a continuação da guerra poderia ter. O objetivo era enfraquecer os orientais a ponto de conseguir a rendição. Nesse sentido, o portal on-line do National Park Service dos Estados Unidos afirma que “o lançamento não poderia ser feito em uma cidade tão culturalmente significante como Tóquio. Truman - presidente americano - não queria destruir a cultura japonesa, mas sim sua habilidade em fazer guerra”.

Os ataques a Hiroshima e Nagasaki

Às 8h15 da manhã do dia 6 de agosto de 1945, a primeira bomba, chamada de Little Boy, é lançada na cidade de Hiroshima. Três dias depois, às 11h02 da manhã, um novo ataque: a Fat Boy é lançada em Nagasaki, também no território japonês.

Imagem: cenas de Hiroshima após o bombardeio, em 1945.

Cerca de 80 mil pessoas morreram instantaneamente na cidade de Hiroshima, e mais 70 mil em Nagasaki. Porém, o efeito a longo prazo é ainda maior. Segundo a ONU, por volta de 400 mil pessoas já perderam suas vidas e ainda há gente que morre pelos efeitos da radiação.

Efeitos das bombas

Vidas humanas

As bombas lançadas no Japão deixaram um rastro de destruição. Segundo dados do governo japonês de março de 2014, 192.719 vítimas sobreviveram aos impactos iniciais. Deste número, 119.169 foram expostas à radiação no momento da explosão, 45.260 ao entrarem nas cidades nos dias posteriores e 20.939 durante as missões de ajuda. Além disso, contabiliza-se 7.351 bebês natimortos, não no momento do ataque, mas em decorrência da exposição posterior de seus pais à radiação.

Os números também mostram que as consequências do ataque perduram até os dias atuais. Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, entre 2014 e 2015, o hospital de Hiroshima para sobreviventes das bombas recebeu mais de 30 mil internações oficiais. Em Nagasaki, no mesmo período registrou-se mais de 20 mil atendimentos aos filhos dos sobreviventes, mostrando como os efeitos perduram por gerações. Em ambas as cidades, a maioria das mortes de pessoas categorizadas como filhos ou descendentes foi em decorrência de diversos tipos de câncer.

Política e cultura

Como cita o portal on-line da ONU, “o horror da Segunda Guerra Mundial, que culminou com as explosões nucleares em Hiroshima e Nagasaki, trouxe à tona a necessidade de abordar a questão nuclear”. Mesmo assim, não houve punições significativas para os Estados Unidos. Após derrotar os alemães, o país protagonizou junto com a URSS - antiga aliada - uma disputa pela hegemonia mundial. O planeta - principalmente o continente europeu - se dividiu em países socialistas e capitalistas.

Essa disputa entre americanos e soviéticos ficou conhecida como Guerra Fria, período marcado significativamente pelas mudanças nas relações entre os países trazidas pelos ataques a Hiroshima e Nagasaki. De acordo com o historiador Akira Iriye, em seu livro Power and Culture: Japanese-American War, “a guerra futura começou a ser visualizada como um conflito nuclear; não como um desvio temporário da norma, mas como o fim de toda ordem internacional e doméstica”.

Portanto, uma nova guerra mundial poderia resultar em uma destruição completa do mundo. Por isso, uma série de esforços para conter os avanços do armamento nuclear foi feita desde então. Em 1968, foi proposto o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Atualmente, o acordo conta com cerca de 189 assinaturas e define que, com exceção dos países que já realizaram testes antes de 1967 (grupo formado por EUA, França, Inglaterra, China e Rússia), as nações deveriam abrir mão das pesquisas nucleares para fins bélicos.

Como afirma a pesquisadora Izadora Zubek, em publicação para a Associação Brasileira de Relações Internacionais, “a bomba atômica dá origem a um imaginário peculiar: o imaginário do apocalipse nuclear”. O medo do “fim do mundo” em decorrência de um conflito nuclear perdura até hoje, se fazendo presente em qualquer conflito entre países que tome proporções globais.

O bombardeio de duas cidades japonesas e a morte de centenas de milhares de civis representam um momento delicado e comovente de nossa história. Não cabe usar motivos para justificar os ataques, mas é importante entender em que circunstâncias ocorreram. Os danos às pessoas são irreparáveis e, por isso, as tratativas de negociações internacionais precisam evitar a ocorrência de novos conflitos dessa magnitude. Hiroshima e Nagasaki deixaram marcas não apenas em seu território, mas em todo o mundo.

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