Casas de Bento Rodrigues destruídas pelo rompimento das barragens do Fundão e de Santarém, da mineradora Samarco (Foto: A. M. Teixeira/Via Shutterstock)

Os desastres ambientais acontecem em todo o mundo há centenas de anos. Independentemente de serem causados por um acidente, erro humano ou fatores naturais, as catástrofes afetam de maneira intensa as comunidades próximas e provocam danos severos e até irreversíveis ao ecossistema. Para que você reflita sobre esses episódios, e também para lembrá-lo sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, nós listamos os maiores desastres que ocorreram no Brasil e explicamos os seus impactos ambientais.

Vazamento de óleo na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (2000)

Uma mancha negra com tamanho equivalente a quatro campos de futebol tomou a Baía de Guanabara. Os 1,3 milhão de litros de óleo que contaminaram as águas partiram de um vazamento nos dutos da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), da Petrobras.

O ecossistema dos manguezais próximos à região foram contaminados, uma unidade de conservação natural foi afetada e toneladas de peixes morreram, o que comprometeu a economia local, baseada na pesca. O vazamento é considerado um dos acidentes ambientais mais graves de toda a América do Sul.

A Petrobras foi condenada a pagar R$ 35 milhões em multas para o Ibama e também seguiu o Termo de Compromisso para Ajuste Ambiental, contribuindo com R$ 250 milhões para 37 projetos de preservação ambiental. No entanto, em 2018, cerca de 12 mil pescadores que tiveram sua rotina de trabalho comprometida pelo vazamento ainda aguardavam a indenização da empresa.

Vazamento de óleo nos Rios Barigui e Iguaçu, no Paraná (2000)

No mesmo ano, outro estado brasileiro foi palco de um grave desastre. Cerca de 4 milhões de litros de óleo cru vazaram da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), também da Petrobras, afetando os rios Barigui e Iguaçu, no município de Araucária.

O incidente aconteceu devido ao rompimento de uma junta de expansão de um oleoduto durante uma operação de transferência de petróleo do terminal marítimo de São Franciso do Sul, no estado de Santa Catarina, para a Repar. A mancha de óleo, com espessura de cinco centímetros, avançou por 30 quilômetros. O vazamento foi considerado três vezes maior que o ocorrido na Baía de Guanabara.

O desastre comprometeu o ecossistema da região e afetou peixes e mamíferos, como antas e capivaras. A população ribeirinha também sofreu com o cheiro forte e o comprometimento da qualidade da água dos rios. Em 2013, a Petrobras foi condenada a pagar mais de R$ 610 milhões - sem correção e juros -, valor correspondente à soma das indenizações e dos trabalhos de recuperação das áreas afetadas.

Incêndio na Ultracargo, no Porto de Santos (2015)

Um incêndio nos tanques de combustíveis do Terminal Químico de Aratu, da empresa Ultracargo, entrou para a história. A explosão de uma válvula, devido a um erro operacional, originou o fogo que levou nove dias para ser controlado e mobilizou agentes de todo o litoral paulista.

Na ocasião, os bilhões de litros de água utilizados para controlar as chamas voltaram às águas. A quantidade de oxigênio no mar caiu drasticamente e a temperatura aumentou 7°C. Por consequência, nove toneladas de 142 espécies de peixes morreram. A qualidade do ar na região também foi gravemente afetada.

De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, o episódio é o maior incêndio do gênero no Brasil. Em maio de 2019, a empresa firmou um acordo de R$ 67,3 milhões por conta dos danos ambientais causados na ocasião.

Rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais (2015)

A cidade de Mariana e as regiões ao seu redor foram tomadas por um rastro de destruição com o rompimento das barragens do Fundão e de Santarém, ambas da mineradora Samarco. Em seu caminho, a lama destruiu por completo a pequena Bento Rodrigues. O episódio é considerado a maior catástrofe ambiental da história brasileira.

Ao todo, 600 famílias ficaram desalojadas, 19 pessoas morreram e 1469 hectares de vegetação foram comprometidos. Cerca de 663 quilômetros de rios e córregos foram contaminados pela lama, e poucas horas após o rompimento, a massa de rejeitos chegou ao rio Doce, a maior bacia da região sudeste brasileira.

A turbidez da água comprometeu de forma grave o ecossistema e ocasionou a morte de toneladas de peixes e outros animais da região. O episódio, marcado pelos 43 milhões de metros cúbicos de rejeitos lançados no ambiente, somou mais de R$ 350 milhões em autos de infração. Em janeiro deste ano, o jornal O Globo apurou que a mineradora ainda não havia pago qualquer valor ao Ibama.

Rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais (2019)

A cidade de Brumadinho viu a destruição se repetir com o rompimento da barragem I na mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale. O mar de lama destruiu tudo o que encontrou pela frente: casas, plantações, pousadas, estradas e vegetação.

Segundo a empresa, cerca de 300 funcionários estavam trabalhando no local na hora do rompimento. Devido ao curso dos rejeitos e ao rompimento inesperado, o episódio fez mais de 241 vítimas fatais, de acordo com os dados divulgados em maio de 2019. Até a data, mais de 25 pessoas continuavam desaparecidas.

Segundo análise do Ibama, os rejeitos de minério devastaram 133,27 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica e 70,65 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP). O Rio Paraopeba, afluente do São Francisco, foi gravemente contaminado. O impacto ambiental foi devastador e ainda não pode ser totalmente mensurado.

Além dos episódios mencionados aqui, é importante ter em mente que outros desastres ambientais ocorreram no país ao longo dos últimos 20 anos. Independentemente das causas, as catástrofes ambientais deixam marcas na população e comprometem de maneira severa o equilíbrio dos ecossistemas afetados durante décadas. Sendo assim, estar atento e vigilante para que essas situações não aconteçam e cobrar das autoridades soluções adequadas à dimensão de cada um dos episódios é nosso dever como cidadãos.

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