A formação do primeiro bloco econômico remete ao fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com a criação do Benelux, constituído por Bélgica, Holanda e Luxemburgo, em um acordo firmado em 1944. O objetivo desse grupo era fortalecer a economia dos países atingidos pelo conflito, inclusive a fim de se posicionar diante dos Estados Unidos, nação que saiu  economicamente fortalecida da guerra.

Já ao final da Guerra Fria, começam a surgir novos blocos econômicos. A priori, eles eram vistos como uma medida para garantir o crescimento econômico dos países frente à forte competitividade provocada pelos novos parâmetros colocados por uma globalização acelerada. Porém, essa formação de associações entre os Estados se tornou uma característica importante do processo de globalização, continuando a fortalecer o caráter multipolar identificado no mundo, principalmente a partir da década de 1990.

O que são blocos econômicos?

São acordos entre países que visam fortalecer os laços econômicos, políticos e até mesmo sociais entre eles. As nações estabelecem relações visando o desenvolvimento mútuo do conjunto, por meio da implantação de medidas que procuram aumentar a circulação de pessoas, de mercadorias e de finanças entre os membros, por exemplo.

Em resumo, a união dos países em blocos econômicos tem por objetivo formar associações que garantem vantagens econômicas principalmente, podendo abarcar também processos políticos e sociais entre as nações participantes. A ideia é que em grupo, os países tendem a se tornar mais fortes diante de um mercado altamente competitivo em escala global.

As relações estabelecidas entre os países-membros do bloco depende muito do estágio de desenvolvimento em que o mesmo se encontra. Nesse sentido, podemos classificar quatro fases principais:

Zona de livre-comércio

Os países oferecem a diminuição ou a completa extinção das taxas alfandegárias entre si, permitindo trocas comerciais sem grandes barreiras.

União aduaneira

Além das políticas de livre-comércio, em uma união aduaneira, também firmam acordos para a criação de uma tarifa externa comum entre os países, permitindo uma padronização em relação às nações fora do grupo.

Mercado comum

Esse estágio da formação dos blocos apresenta políticas de livre-comércio, tarifas externas comuns e uma livre transição de capital, de pessoas e de mercadorias.

União econômica e monetária

É considerada a fase mais avançada dos blocos econômicos. Além de todas as características presentes nos outros estágios, os países ainda passam a adotar uma moeda única.

Principais blocos econômicos

Veja agora quais são os principais blocos econômicos existentes na atualidade:

União Europeia

A União Europeia - ou simplesmente UE - nasceu do Tratado de Maastricht, assinado na Holanda  em 1992. Porém, a ideia de uma Europa unida surgiu logo após o final da Segunda Guerra, com a formação do Benelux, bloco composto pela Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Anos depois, já com Itália, França e Alemanha Ocidental, o grupo se transformou no Mercado Comum Europeu. Na década de 1970, a Inglaterra passou a fazer parte da associação.

Desde o Tratado de Maastricht, os países-membros firmaram acordos importantes para a moldagem do funcionamento do bloco. Em 1999 foi aprovada a criação de uma moeda comum, o euro, que passou a circular em 2002. Ainda no fim do século XX, houve a criação do Banco Central Europeu e do Parlamento Europeu.

Em 2009, através da assinatura do Tratado de Lisboa, os países decidem adotar uma política conjunta em relação a temas como mudanças climáticas, segurança, imigração, ajuda comunitária, terrorismo e desenvolvimento sustentável. No mesmo ano, houve a criação do Espaço Schengen, uma convenção entre países que compartilham fronteiras abertas e oferecem condições similares de imigração e concessão de vistos. É através desse acordo, por exemplo, que brasileiros podem ficar até 90 dias na maioria das nações da Europa Ocidental sem a apresentação de nenhum visto.

A União Europeia procura consolidar uma economia coesa entre os seus países, visando se posicionar fortemente em relação ao mercado internacional. O objetivo é um crescimento econômico sustentável mútuo, a estabilização dos preços e a livre circulação dos cidadãos europeus, aptos a se mudarem para fins de trabalho, educação ou qualquer outro motivo entre países-membros do bloco. Além disso, há uma preocupação com a manutenção da identidade cultural de cada país, visto que a Europa apresenta uma grande diversidade de costumes e de idiomas.

Para adentrar à União Europeia, o país deve apresentar estabilidade econômica e política, principalmente preservando a democracia e os direitos humanos. Em termos jurídicos, precisa adotar a legislação europeia e seus regimentos decididos pelo Parlamento Europeu. O pedido de anexação à UE ainda passa por uma complexa análise e precisa da aprovação de todos os outros membros do grupo.

Zona do euro

A Zona do euro corresponde ao grupo de países que, a partir de 2002, adotaram o euro como moeda comum. Para isso, o Estado precisa oferecer estabilidade dos preços e das taxas dentro da nação. O objetivo da cédula é o fortalecimento da economia em níveis internos e externos em relação ao quadro econômico mundial.

Atualmente, a União Europeia conta com 28 membros. Nem todos eles pertencem à Zona do Euro, conforme indica o quadro abaixo:

União Europeia

Países pertencentes à Zona do Euro

Alemanha

Grécia

Áustria

Holanda

Bélgica

Irlanda

Chipre

Itália

Eslováquia

Letônia

Eslovênia

Lituânia

Espanha

Luxemburgo

Estônia

Malta

Finlândia

Portugal

França

 

Países não pertencentes à Zona do Euro

Bulgária

Polônia

Croácia

República Checa

Dinamarca

Romênia

Hungria

Suécia

Inglaterra

 

Brexit (2017-2019)

Em um referendo de junho de 2016, o Reino Unido aprovou a sua saída da União Europeia. O processo de retirada teve início no final de 2017 e o processo tem previsão de duração de dois anos, até 2019. Até lá, o país ainda é considerado parte do bloco.

NAFTA

O Tratado Norte-americano de Livre-Comércio (em inglês NAFTA) foi formado inicialmente por Estados Unidos e Canadá, recebendo posteriormente a adesão do México e se estabelecendo de fato a partir de 1995. A proposta principal é eliminar as taxas alfandegárias entre os países, permitindo que os investidores possam ter mais escolhas sobre qual o melhor lugar para investir economicamente. Além disso, havia a proposta de cooperação econômica para o fortalecimento dos membros.

O bloco se trata de uma zona de livre-comércio, não havendo uma integração entre os campos políticos e sociais, como ocorre na União Europeia. O objetivo é fortalecer o grupo em relação à própria economia europeia e de outros centros, como a China.

Em 1994, o Chile foi convidado como membro associado, o que garantiu algumas vantagens econômicas, como uma certa facilitação de imigração de cidadãos chilenos para os EUA. A proposta no período era a criação da Alca, uma associação entre o restante dos países da América Latina. Porém, por discrepâncias diversas, o acordo nunca avançou. Um dos grandes motivos é a disparidade econômica provocado pelos Estados Unidos, potência muito mais desenvolvida do que as outras e que acaba exercendo uma certa hegemonia dentro do bloco.

Em 2018, o presidente americano Donald Trump assinou o que pode ser considerado uma revitalização do Nafta. O acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, em inglês) apresenta novas propostas que procuram aproximar comercialmente os países, principalmente com a diminuição das taxas alfandegárias.

Mercosul

O Mercado Comum do Sul (Mercosul) foi criado em 1991 através do Tratado de Assunção, assinado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. O objetivo é a criação de um mercado comum entre os países da América do Sul, estimulando a integração dos países através das trocas comerciais e do livre trânsito de pessoas.

Em 2012, a Venezuela foi anexada como país-membro. Porém, desde 2016, ano do agravamento dos problemas políticos enfrentados pelo país, está suspenso do bloco. Além dos membros, há outros associados, como o Chile, a Colômbia, o Equador, a Guiana, o Peru e o Suriname.

O bloco possui um aporte institucional com conselhos e comissões regulatórias dos processos de implantação das medidas para o fortalecimento das relações entre os países. No entanto, o Mercosul se coloca como um mercado comum incompleto, possuindo características mais próximas de uma união aduaneira.

Por mais que o bloco tenha trazido certos avanços econômicos para a região, ainda há uma série de problemas que dificultam o seu pleno desenvolvimento. A instabilidade econômica e até mesmo política dos países membros é um dos principais entraves. A projeção para os próximos anos é que a associação apresente mudanças mais profundas para a criação de uma união mais forte entre as nações sul-americanas.

APEC

A Cooperação Econômica Ásia-Pacífico é formada por 21 membros: Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Cingapura, Coreia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova-Guiné, Peru, Rússia, Tailândia, Taiwan e Vietnã.

O objetivo do bloco é criar uma zona de livre-comércio entre os países, favorecendo as trocas comerciais com redução das tarifas, propiciando um aumento do volume de negócios e um desenvolvimento conjunto dos Estados participantes.

A enorme desigualdade quanto ao desenvolvimento econômico e tecnológico entre os países é um problema para o bloco. Porém, a sua formação é de vital importância para o contexto da economia atual, já que reúne alguns dos maiores mercados consumidores do mundo, como Estados Unidos e China. Além disso, possui também nações com PIBs elevados e apresenta uma grande capacidade de produção, com uma série de indústrias e centros tecnológicos.

A união dos países em blocos econômicos é fruto de um quadro mundial provocado pela globalização. A intensa interação entre as nações e a crescente competitividade entre os mercados estimulam os Estados a se juntar em busca de um desenvolvimento econômico conjunto. Para entender de fato todas essas dinâmicas, é preciso se aprofundar no estudo de atualidades e estar constantemente a par das mudanças que ocorrem no mundo.

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