Optar ou não pela matrícula em tempo integral? Essa dúvida costuma ser comum entre as famílias. Quais serão os pontos positivos e negativos para o desenvolvimento das crianças e adolescentes ao vivenciarem uma jornada estendida na instituição de ensino? Neste post, nós explicamos um pouco sobre ambos os pontos de vista. Acompanhe. 

O cenário da educação em ensino integral

A discussão envolvendo os prós e contras da escola em tempo integral já é antiga no Brasil. Grandes nomes da educação, como Anísio Teixeira e Darcy Ribeiro, já discutiram projetos para a criação de instituições de ensino com esse formato no país.

Como Lúcia Velloso Maurício nos lembra em seu artigo Escritos, representações e pressupostos da escola pública de horário integral, publicado na obra Educação integral e tempo integral (2009), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - Lei nº 9.394/96), promulgada no ano de 1996, foi a responsável por introduzir de maneira progressiva a ampliação do tempo escolar diário no Brasil. O projeto foi detalhado posteriormente com o Plano Nacional de Educação (PNE - Lei nº 10.172/01) e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE - Decreto nº 6.094/07). 

Além de ser um tema recorrente e alvo de estudos de especialistas, a população também vem demonstrando maior interesse por esse modelo de ensino. O Censo Escolar de 2017, cujos dados foram divulgados pelo Inep, revelam que a educação em tempo integral está crescendo no país. O número de alunos matriculados nesse modelo de ensino, em instituições de ensino públicas ou privadas, subiu de 9,1% para 13,9% entre os anos de 2016 e 2017. 

Contraturno x ensino integral

Antes de conhecer os pontos positivos e negativos do ensino integral, é necessário diferenciá-lo do contraturno escolar. O contraturno é considerado uma extensão do aprendizado dos estudantes no período oposto ao qual a criança ou o adolescente está matriculado. Nesse caso, a instituição de ensino proporciona opções para complementar o ensino e oferece cursos, workshops e aulas eletivas para que os alunos criem a grade extracurricular da maneira que desejarem; por exemplo, complementando a grade com ensino bilíngue ou robótica. 

O ensino integral, por outro lado, não envolve apenas a possibilidade da escolha de disciplinas eletivas, mas também oferece o acompanhamento adequado para a realização das tarefas escolares e atividades diversas para complementar a proposta pedagógica da escola. Por isso, a infraestrutura da instituição de ensino precisa proporcionar ambientes adequados às necessidades dos estudantes e do seu bem-estar para que eles passem mais tempo na escola.

Vantagens

Novas práticas no dia a dia 

O ensino integral oferece maior diversidade de atividades e projetos aos alunos, o que permite a exploração de novas temáticas, habilidades e hobbies, e a contribuição direta para o seu processo de desenvolvimento. Dessa forma, o tempinho a mais na escola pode contribuir para a formação de estudantes e cidadãos multiculturais e criativos. 

No caso dessa opção curricular, as instituições trazem um planejamento especial e totalmente pensado para incentivar o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes de maneira coerente e saudável, respeitando a sua faixa etária. Ainda, é possível aproveitar para realizar projetos interdisciplinares, o que contribui de maneira expressiva para o desenvolvimento do olhar crítico. Como resultado, garante-se um aprendizado mais completo e sólido. 

Incentivo à produtividade e ao aprendizado 

Permanecer no ambiente escolar, envolvido em atividades relevantes para sua formação e seu desenvolvimento, é uma oportunidade significativa para que os alunos continuem expandindo os seus conhecimentos também fora da sala de aula. Além disso, evita-se que as crianças ou os adolescentes passem o período do contraturno em casa, sem a devida supervisão de adultos e apenas jogando videogame ou navegando na internet. 

Valorização das relações sociais

A oportunidade de passar mais tempo com a comunidade escolar permite que o aluno desenvolva as suas relações sociais com os colegas, professores e demais funcionários da instituição. Como consequência, estreitam-se os laços com os amigos e também proporciona-se a interação com novos alunos, uma vez que as aulas e atividades podem envolver estudantes de turmas ou anos diferentes. 

Desvantagens

Estender o período não é sinônimo de qualidade

Uma das principais desvantagens que o currículo do ensino integral pode oferecer é a falta de planejamento e infraestrutura da escola para apoiar os alunos além da jornada tradicional de ensino. Dessa maneira, os familiares devem estar atentos no momento da matrícula e ao longo do semestre letivo, percebendo se a escola proporciona atividades alinhadas com os seus objetivos de ensino e tem um time de profissionais aptos e preparados para complementar a grade curricular. 

Para que as aulas extras signifiquem ganho de qualidade para o ensino, é necessário que as atividades tenham relação com os conteúdos das outras disciplinas, sejam tratadas com seriedade e tenham metas claras. Assim, alunos, educadores e a família conseguem compreender onde esse aprendizado complementar pode chegar e quais benefícios ele pode trazer. 

Pouca proximidade da família

Ao matricular o seu filho em uma instituição de ensino em período integral, a criança ou o adolescente tenderá a passar menos tempo em casa e, consequentemente, terá algumas horas a menos de convívio familiar. Outro ponto que pode ser negativo para algumas famílias é que nesse modelo escolar, a rotina pode ser menos flexível. 

No entanto, deve-se ter em mente que a escola, independentemente de seu modelo curricular, não substitui o papel da família - ambas são complementares e fundamentais para a formação dos estudantes. Por isso, mesmo que a família opte por matricular o filho no modelo de ensino integral, é muito importante promover momentos de contato saudáveis com o jovem e estar sempre envolvido com as suas tarefas e projetos escolares. 

A opção de matricular o seu filho em uma instituição de ensino que oferece o modelo integral envolve questões que demandam atenção e reflexão da família, sobretudo sobre a maneira como essa opção pode favorecer ou não o desenvolvimento da criança ou do adolescente. 

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